Coluna Especial

Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 30/05/2017

A bênção entre pai e filho

Gênesis 22:14. “Pelo que chamou Abraão àquele lugar Jeová-Jiré; donde se diz até o dia de hoje: No monte do Senhor se proverá”.

 

Todos nós conhecemos a história de Abraão, que foi oferecer Isaac no altar a pedido de Deus, mas poucos entendem o que realmente aconteceu ali.

 

Então vamos falar em primeiro lugar sobre o que significa a oferta do carneiro na cultura da época.

 

O carneiro na mesopotâmia era usado em um sacrifico de reciprocidade. Isso acontecia quando a pessoa que ia prestar um sacrifício a Deus, colocava um carneiro sobre o altar, e ela pode participar, comendo algumas partes desse carneiro. Isso é uma benção recíproca: eu recebo da mesma coisa que dou, e dou da mesma coisa que recebo. Essa é a benção “Brachah”.

 

Deus deu Isaac como um presente para Abraão, mas depois Ele quis testar Abraão para ver se ele seria capaz de “devolver” Isaac. Isso é reciprocidade!

 

Quando Abraão passou no teste, Deus o abençoou com a “Brachah”, que quer dizer que a benção da provisão continua. A partir daquele dia Deus passou a ser o “provedor” de Abraão e nunca mais lhe faltou nada.

 

É por isso que quando Abraão decidiu entregar Isaac para Deus, o Senhor entregou Isaac para Abraão.

 

Gênesis 22. 11-14: “Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde o céu, e disse: Abraão, Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui. Então disse o anjo: Não estendas a mão sobre o mancebo, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, visto que não me negaste teu filho, o teu único filho. Nisso levantou Abraão os olhos e olhou, e eis atrás de si um carneiro embaraçado pelos chifres no mato; e foi Abraão, tomou o carneiro e o ofereceu em holocausto em lugar de seu filho. Pelo que chamou Abraão àquele lugar Jeová-Jiré; donde se diz até o dia de hoje: No monte do Senhor se proverá”.

 

Esta benção (Brachah) existe desde a criação. Para você entender melhor vamos voltar ao princípio. Um dos sistemas do princípio da criação é chamado de “Brachah”. O que é Brachah? Podemos dizer que é uma bênção recíproca.

 

Por exemplo: no sistema da criação Deus fez tudo perfeitamente para manutenção do homem, como céu, a terra, sol as estrelas, os peixes do mar, os peixes dos rios, os rios, a água doce, as árvores frutíferas… tudo no seu devido e perfeito lugar.

 

O capítulo 1, versículo 29 do livro de Genesis relata essa pretensão divina. Deus depois de terminar a sua criação para manutenção do homem, outorga que tudo aquilo era para o homem para que não houvesse preocupação no homem.

 

Deus ali estava operando seu sistema de “Brachah”, um sistema de benção, pois Ele plantou um jardim abaixo do Éden. Passado um tempo, Deus cria o homem e o coloca no jardim. Mas o que Deus pede de reciprocidade, já que “Brachah” é uma benção recíproca?

 

Podemos dizer que a “Brachah” é como se alguém nos oferecesse um banquete tão bem preparado e tão bem servido que conseguiríamos nos saciar em pouquíssmo tempo. Saciados, ainda vamos deixar porções sobre aquela mesa, aquilo que nós deixamos sobre a mesa não é falta de educação, ao contrário, significa que nos satisfazemos até um ponto de não conseguimos absorver tudo. Esse é o sistema de “Brachah”: a benção que nos é oferecida é tão grande que não conseguimos absorver tudo, então nós devolvemos da mesma porção em forma também de benção.

 

Deus ele oferece toda manutenção para o homem. Deus, trabalhou no sistema de reciprocidade de “Brachah”, significando que Ele também queria algo do homem, o que o homem tinha para oferecer? A sua própria presença, por isso o livro de Gênesis vai relatar que todo fim de tarde Deus ia ter com o homem.

 

O homem tinha o dia todo para estar com a mulher, para estar com os animais, colocar os seus nomes, lavrar o jardim, comer dos seus frutos, mas no horário marcado ele deveria devolver a Deus um período daquele tempo. Então Deus atravessava o céu inacessível, atravessava o céu cósmico, atravessava o céu atmosférico e chegava até o jardim.

 

No jardim havia “Koinonomos”, havia “Koinonia”, havia comunhão, havia reciprocidade, o homem se via em Deus, e Deus se via no homem.

 

Pois bem, o sistema “Brachah” é um sistema de benção recíproca: tudo aquilo que eu recebo, eu também consigo devolver, por exemplo: Jó recebeu bençãos profundas de Deus. Em seu momento mais negro, sua mulher chega e diz: ‘Jó abençoe a Deus e morra’.

 

Sim, abençoe! Existe uma tradução hiper errada na nossa bíblia que diz ‘amaldiçoe’, porque o tradutor não soube entender como nós conseguimos abençoar Deus que é nosso Abençoador.

 

Ela estava querendo dizer: ‘Jó de tudo que Deus te deu, devolva o que é Dele e morra. Abençoe a Deus’.

 

Pois bem, tudo que recebemos de benção no sistema de “Brachah”, nós temos condições de devolver. Mas por quê?

 

Porque no sistema da “Brachah” não nos é pedido sacrifícios que nós já não tenhamos recebidos de Deus, um exemplo:

 

Se eu te der uma garrafa de água agora e pedir e logo em seguida te pedir um copo de água, você terá como me dar, porque eu mesmo já te dei uma garrafa de água; Esse é o sistema de benção “Brachah”, por isso é recíproco, Deus nunca pedira nada de nos que já não nos tenha dado.

 

Esse sistema de “Brachah” não se detém somente a Deus, mas se detém no transito de “honra da paternidade”, enquanto eu honro na reciprocidade, eu recebo da mesma porção, por exemplo: – Temos pais espirituais que cuidam de nós, estão dando cobertura, estão jejuando, estão guerreando, estão orando, estão nos oferendo alimento diariamente, vivem pra isso.

 

Pois bem, hoje como cabeça do mês que vem da letra “zayn”, nós temos o direito de receber a benção do pai, porem essa benção, é uma benção “Brachah”, aonde o filho devolve ao pai em forma de gratidão, da mesma porção de benção.

 

Por exemplo: – O pai te ofereceu, a porta se abriu, agora está na hora de você ser fiel nas primícias, no dizimo, na oferta alçada, na oferta de cordeiro que é essencial pra Deus isso abre muitas portas, isso abre decretos de bênçãos sobre nossas vidas, estarmos cientes que a “Brachah” faz com que nossas vida tenham um Up!, umavirada de chave gigantesca, porque a “Brachah” é sistema de gratidão, significa que estou reconhecendo uma autoridade que está sobre mim, autoridade essa que é minha fonte de manutenção, minha fonte de benção, minha fonte de inspiração e de admiração.

 

Então o que eu devo fazer para a fonte? Ora, o salmista perguntou ao Senhor: o que darei eu ao Senhor por todo o benefícios que tem feito? E uma pergunta curiosa, pois não sabemos como ser recíprocos com aquele que tem nos abençoados.

 

Perceba que no livro de “Vayikrá” – Levíticos, todas as ofertas oferecidas no altar sejam de cereais, libação ou de animais, toda ela é uma oferta que o próprio Deus já abençoou o povo para ter, colheita Deus abençoa…

 

A libação Deus proveu, os animais Deus fez crescer, nos devolvemos no altar da mesma proporção que recebemos do altar.

 

No dia primeiro de cada mês os pais abençoam os filhos com esta benção que ativa a provisão de Deus para todo o mês que se inicia.

 

Geralmente o filho traz uma benção (Brachah) para o pai e este abençoa o filho.

 

O sistema temb funciona da mesma maneira quando o povo trazia a primicia e o sacerdote abençoava toda a colheita.

 

Hoje é o primeiro dia (Rosch Chodesh) no calendário Judaico, dia dos pais abençoarem seus filhos e dos filhos abençoarem os pais, para que a benção (Brachah) esteja sobre ambos.

 

 

GUIAME