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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 10/11/2017

Adventistas aprovam documento contra pena de morte: “A violência não tem lugar na igreja”

No Brasil, a pena de morte é proibida. A não ser que o caso seja algum crime militar cometido em tempos de guerra, segundo previsto na Constituição Federal de 1988. Mas, existem países que autorizam esse tipo de punição. São 58 ao todo, sendo a maioria das execuções em países como China, Irã, Arábia Saudita, Iraque e Paquistão. Segundo a Anistia Internacional, só em 2016, houve 1.032 execuções em 23 países.

 

Como os cristãos devem reagir a esse tipo de punição? A Igreja Adventista do Sétimo Dia se posicionou recentemente sobre o assunto. Durante o Concílio Anual que abrange oito países sul-americanos, e que se encerrou na última terça-feira (7), os delegados aprovaram o registro de um documento sobre a pena de morte. O texto foi elaborado pelo Comitê de Ética do Biblical Research Institute (BRI), ou Instituto de Pesquisa Bíblica, órgão consultivo da igreja para assuntos teológicos, a pedido da sede sul-americana adventista.

 

O documento ainda argumenta a posição por meio de passagens bíblicas que sustentam a ideia de que “os adventistas acreditam que a violência e a pena de morte não têm lugar na igreja. Em outras palavras, não é tarefa da igreja tirar a vida humana”. No texto, são considerados versículos que dão margem a uma interpretação favorável à pena capital por parte dos poderes governamentais.

 

“Não há também acordo sobre a questão de se, a partir da perspectiva bíblica, os governos têm permissão ou até mesmo são requeridos a instituírem a pena capital. Porém, diante do fato de que a pena capital não tem lugar na igreja cristã, não é certo que a igreja seja vista como um quase agente advogando a pena capital, embora o estado possa executá-la”, diz o documento.

 

O registro foi aprovado pelos delegados do Concílio. Nas considerações finais, eles recomendam que os adventistas não se envolvam em campanhas favoráveis à promoção da pena de morte.

 

O texto diz: “A Bíblia não ignora o sofrimento e a perda insuperáveis daqueles que foram atingidos por crimes odiosos. A igreja também não. Ela sofre com os que sofrem e busca ajudá-los de todas as formas possíveis, desde que consistentes com a Escritura. Porém, esse sofrimento pode levantar a questão de se a pena de morte seria uma resposta apropriada às formas graves de crime”.

 

“A questão da pena capital deve ser estudada a partir da perspectiva das passagens bíblicas individuais encontradas na Escritura em vários contextos. Ela adicionalmente deve ser estudada e compreendida a partir da perspectiva de uma antropologia bíblica robusta, ou seja, mais ampla do que a exegese e que inclua princípios bíblicos”.

 

“Ao longo dos anos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem emitido declarações oficiais sobre vários assuntos, como, por exemplo, contra a violência, a guerra e a eutanásia, e a favor da tolerância e da não combatividade. A igreja busca preservar e proteger a vida humana. Isso é refletido em sua forte ênfase sobre a mordomia (Deus sendo o proprietário da vida e Cristo sendo nosso Salvador), o cuidado da saúde integral, bem como a ajuda humanitária”.

 

GUIAME