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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 16/04/2017

Como os cristãos devem olhar para o filme ‘A Cabana’? Teólogos respondem

Como ocorreu com sucesso literário “A Cabana”, o recente lançamento do filme homônimo também está gerando grandes debates entre cristãos, sobretudo entre pastores e outros especialistas em teologia, de diferentes denominações e linhas de pensamento.

 

Por um lado, há um grande público que se diz edificado pela mensagem que o filme e o livro passam. Por outro, há aqueles que alertam sobre diversas heresias presentes neste enredo, que podem soar como enganosas sobre princípios bíblicos e experiências espirituais.

 

Vendo estes tão acalorados debates sobre a obra, sobretudo nas redes sociais, o Portal Guiame buscou a opinião de dois pastores de diferentes linhas de pensamento a respeito do filme, com o objetivo de lançar outras respostas teoligicamente embasadas sobre esta questão e estes responderam com exclusividade.

 

Segundo o pastor Bruno dos Santos, da Igreja Apostólica Vida Nova, o filme faz uso de uma teologia relativista para contar sua história – costume, segundo o teólogo, comumente adotado até mesmo por muitos cristãos pós-modernos.

 

“O deus relativizado da Cabana, se insere na fé relativizada do cristão de nossos dias, que vai ao cinema para ouvir Deus falar e vai as igrejas para ter entretenimento aos domingos”, alertou conforme um artigo escrito pelo colunista, exclusivamente para o Guiame.

 

“A percepção é confusa e o deus da cabana é bem parecido com o deus da Tenda. Um deus misterioso, que se aproveita da dor e fragilidade, um deus moldado às nossas expectativas, um deus do liberalismo teológico, cheio de percepções humanas, gregas e universais”, acrescentou.

 

Pastor Bruno também destacou que a caminhada cristã vai muito além de obter respostas para as injustiças da vida e que Deus não se limita a locais, como uma cabana, para se revelar.

 

“O Cristo de Deus revela bem mais que uma explicação para o sentido da vida. Até porque não existe sentido em encontrar sentido sem Deus na vida. Ele “tabernaculou” entre nós. Ele deixou tendas e cabanas há muito tempo. Hoje ele vive em nós pelo seu Espírito. E se revela em nós não com recados, mas pela Sua Palavra”, afirmou.

 

Pastor Bruno também destacou “A Cabana” parece não ser apenas uma história sobre perdão e não exatamente um filme com embasamento bíblico.

 

“Tentar encontrar Deus em uma cabana, é tentar encontrar Deus em um lugar. Há muito tempo Deus deixou de habitar lugares. No filme ‘A Cabana’ você não vai encontrar nada além de uma bonita história de perdão e superação, nada mais… até porque o deus da cabana acaba, o filme termina e a vida continua… e somente um Deus que possui o controle da história nas mãos poderá nos dar paz em meio aos mais terríveis conflitos que vivemos”, afirmou.

 

Experiências e doutrinas

 
Para o pastor Fábio Ciribelli – que pastoreou igrejas presbiterianas por mais de 30 anos e atualmente lidera Ministério Oásis, em Fortaleza (CE) – o filme acaba se tratando de uma experiência pessoal que o protagonista da história teve e decidiu compartilhar.

 

“O próprio autor disse que o livro se trata de uma ficção que ele criou para escrever aos seus filhos sobre os pensamentos que ele tem sobre o seu próprio relacionamento com Deus”, lembrou. “Eu penso que o filme ainda é um pouco mais leve que o livro. O filme mostra diálogos entre pessoas e se torna mais imaginável e com as imagens, fica até mais bonito”.

 

Porém, nem mesmo a beleza dos diálogos e dos cenários expostos no filme levaram o pastor presbiteriano a deixar de reconhecer pontos um tantos “escorregadios” nesta ficção.

 

“Apesar de ser uma história muito bonita, a mim parece ser um tipo de visão. Ele [protagonista] sofreu um acidente, ficou adormecido por um bom tempo e acordou com esta história pronta e contou aos filhos”, disse. “O apóstolo Paulo diz na Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 14, que quando recebemos algumas revelações de pessoas a respeito do relacionamento com Deus, precisamos guardar no coração e esperar acontecer para ver se aquilo de fato se concretiza”.

 

“Muitas questões colocadas no livro e no filme aparentemente não irão sair do sonho ou da visão tida por alguém. Não se torna uma realidade nas vidas de 99,9% das pessoas”, acrescentou.

 

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