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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 14/03/2018

Cristão diz que se sentiu esquecido ao ser preso por causa da sua fé, no Irã

Há muitas histórias milagrosas de cristãos presos no Irã. Apesar de essas histórias serem verdadeiras, há também um outro lado. Para um cristão preso no Irã, muitas vezes Deus parece estar em silêncio e mais longe do que nunca. Saman* e Morad*, dois cristãos ex-prisioneiros, compartilham sobre o tempo na prisão. Expressam como se sentiram longe de Deus e como, apesar de tudo, ele sempre esteve lá.

 

Morad

 

Morad, um homem de 40 anos, era professor em uma igreja e foi preso ao ensinar um novo cristão em outra cidade. Hoje, no Dia da Educação Cristã, podemos louvar a Deus pelos educadores cristãos que se esmeram em ensinar a palavra de Deus. Podemos orar de forma especial pelos educadores cristãos nos países fechados ao evangelho, em que o simples fato de ensinar a Bíblia a alguém pode ser considerado um crime.

 

No caso de Morad, um dos seus colegas membros da igreja, a quem havia discipulado, compartilhava a mesma cela que ele. “Ele me contou como os interrogadores ameaçaram abusar de seu filho e disse que eu havia arruinado a vida dele por ter apresentado Cristo a ele. Ele testemunhou contra mim no tribunal”.

 

Até as últimas consequências

 

O cristão nos conta que nos seis meses que passou na prisão, 20 pessoas foram executadas. “Alguns deles estavam na minha cela. Foi doloroso ver o medo da morte em seus olhos”, compartilha. Na prisão, ele foi agredido e injustiçado: “Os interrogadores me chutavam enquanto me faziam perguntas. Tudo o que eu disse foi usado contra mim. Falei com Deus: ‘Senhor, você vê tudo. Por que você permite isso?’, mas Deus ficou em silêncio. Quando Deus finalmente falou comigo, ele disse: ‘Fique em silêncio e abrace-me; abrace-me como se estivesse preso em mim’”.

 

Morad testemunha que ser feito prisioneiro por Cristo não é fácil, não é uma experiência agradável. No entanto, após passar pelo aconselhamento pós-trauma, hoje ele pode afirmar: “Mesmo depois daqueles horríveis meses de prisão, eu ainda posso dizer: ‘Sim, vale a pena. Eu acredito em Jesus, e se isso significa que eu tenho que sofrer, então estou disposto a fazê-lo’, afirma o cristão perseguido.

 

Saman

 

Assim como Morad, Saman é um cristão iraniano que enfrentou a prisão por causa da fé em Cristo. Saman também está frequentando o aconselhamento pós-trauma para ex-prisioneiros.

 

Ele liderava os jovens de sua igreja. Era um cristão forte e apaixonado, mas quando foi preso, isso mudou rapidamente. “Quando eles me levaram para a prisão, deixei minha mãe tremendo e chorando em casa; ela viu como as autoridades me prenderam. Isso quebrou seu coração. Foi terrível ver aquilo. Na prisão, tive medo e me senti sem esperança. Eu me sentia tão longe de Deus que, durante os primeiros dias de prisão, eu não conseguia nem mesmo orar”, relata.

 

O cristão confessa que se sentia tão longe de Deus que em alguns momentos duvidava da fé. “Eu pensava: ‘É isso? Eu desperdicei 13 anos crendo nele? Será que ele ainda existe?’ Depois da minha primeira conversa por telefone com minha mãe e irmãs, fiquei tão irritado que saí gritando pelos corredores. Eu gritava: ‘Eu não mereço isso!’ Então, na minha cela, comecei a gritar com Deus: ‘Onde você está?’ Minhas orações foram se tornando mais suaves, até que a alegria do Espírito Santo veio sobre mim e comecei a dançar e a cantar ‘Jesus está vivo, Jesus está vivo’”. Ele reconhece que foi um árduo e lento processo.

 

“Se você me perguntar por que Deus estava em silêncio naquela época eu ainda não sei. Mas o que eu sei é a tarefa que ele me deu: viver o evangelho”, ele afirma. Saman relata que quando saiu da prisão, não recebeu os cuidados que esperava da igreja. Então se sentiu esquecido. “Ainda assim, nunca senti que Deus havia me abandonado definitivamente”, afirma Saman.

 

Durante o aconselhamento pós-trauma para ex-prisioneiros apoiado pela Portas Abertas, os cristãos receberam aulas práticas sobre trauma, arteterapia e estudos da Bíblia aliados a temas como o sofrimento e a espera em Deus. Ore pelos cristãos perseguidos do Irã que, como Saman, enfrentam a prisão por amor a Cristo. Que sejam fortalecidos em sua fé e curados em suas emoções.

 

*Nomes alterados por segurança.

 

 

Fonte: Missão Portas Abertas