Coluna Especial

Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 17/11/2016

Cristãos devem namorar não cristãos?

namoro-cristao-10-dicas-para-saber-se-seu-namorado-ou-namoro-e-de-deusCerto dia, uma moça de uns 15 anos me procurou e disse: “Tenho um sentimento muito verdadeiro por uma pessoa não cristã, e só falta ele ser crente para ser perfeito, é errado namorar com ele?”. O que você responderia numa situação dessas? O que fica claro nessa situação é o quanto estamos distantes do ideal que Deus deseja para nossa vida conjugal. Preferimos satisfazer nossas vontades, ouvindo nossos sentimentos, do que a vontade de Deus. O que é que a Bíblia ensina sobre crentes se relacionando com não crentes?

 

O tratamento dessa questão é muito mais complexo do que podemos imaginar. Lanço aqui alguns lampejos sobre o que a Bíblia diz em relação ao relacionamento conjugal de cristãos com não cristãos. Existem pelo menos três grandes ideias que favorecem a tese de que cristãos não deveriam namorar e casar com não cristãos. O primeiro está baseado na relação entre Cristo e Igreja, o segundo na realidade da morte espiritual e o terceiro, especialmente, no conceito de jugo desigual.

 
1. Cristo, o marido. Igreja, a esposa

 

A Bíblia deixa claro que, tratando-se de relações conjugais, o marido é uma metáfora de Cristo, e a esposa, uma metáfora da Igreja. Como seu marido será o seu “Cristo” se ele nem mesmo crê em Jesus? À luz desta metáfora, faz sentido casar-se com alguém fora desse padrão? Inverta a ordem: Como homens que amam a Jesus podem pensar numa futura esposa à semelhança da Igreja, sem que, no mínimo, ela seja parte da Igreja?

 

Não estou dizendo que casar com um cristão assegura que você estará protegido(a) contra todo tipo de dificuldade e blindado de divórcio. Não! Namorar alguém “da igreja” nem sempre é a mesma coisa que namorar ou casar com um discípulo de Jesus. O que precisamos entender é que a lógica desta metáfora é que Deus quer que discípulos casem-se com discípulos.

 
2. Morte espiritual

 

Uma pessoa, por mais que seja legal, eticamente correta, gentil e cheia de bons adjetivos, sem Cristo, ainda é escrava de si mesma e dos seus pecados; é alguém totalmente distante do propósito original de Deus, que é glorificá-lo, amá-lo e alegrar-se nele por toda a eternidade. De acordo com o apóstolo Paulo, quem casa com um incrédulo, casa com uma pessoa espiritualmente morta (Efésios 2.1-11). Sem Cristo, o homem ainda é o seu único Deus.

 

Estar debaixo da escravidão do pecado não é algo pequeno. Jamais podemos pensar que “só falta ele(a) ser crente para ser perfeito(a)”. Sem dúvidas, essa maneira de pensar é inocente e superficial. Por trás de todo aquele que ainda não ama a Cristo, existe cheiro de morte. E num namoro, noivado ou casamento misto, a incompatibilidade pode não se demonstrar em meses de convivência, mas ficará evidente em décadas juntos – e, em alguns casos, apenas uma semana já é mais do que necessário.
3. Jugo desigual

 

Alguns argumentam da seguinte forma: “Conheço muitas pessoas crentes que se casaram com não crentes e, depois, a outra parte se converteu, e viveram felizes!”. Eu também conheço pessoas assim, não podemos negar que isso acontece. Porém, por que isso acontece? Pela graça de Deus. Isso significa que se a outra pessoa se converteu a Cristo, você não teve nenhum mérito nisso, foi pura bondade e misericórdia de Deus. No entanto, Deus não tem a obrigação de salvar ninguém, Ele salva quem Ele quiser. E vamos mais longe: Na maioria dos casos em que crentes casam com incrédulos, os incrédulos não se convertem.

 

Como já dissemos antes, para cada exemplo de sucesso, existem 10 de fracasso nessa área. Deus não tem a obrigação de fazer a sua vontade, nós é que temos a responsabilidade de obedecermos ao que Ele nos diz. E, neste caso, Ele nos pede para namorarmos, noivarmos e nos casarmos com alguém que é dele. Paulo explica que o relacionamento conjugal entre crentes e perdidos é como um “jugo desigual”, ou como tentar encaixar engrenagens incompatíveis e irreconciliáveis (2 Coríntios 6.14).

 

O que é jugo desigual? Jugo é uma peça de madeira colocada sobre a cabeça dos bois para puxar uma carroça. Ele servia para juntar dois animais da mesma espécie para trabalharem juntos, dividirem o peso da carga e dividirem a resistência do arado no solo. Desta forma, dois animais, devidamente aparelhados no jugo, produziam o dobro de força e o dobro de trabalho. Aquilo que era quase impossível para um boi fazer sozinho, tornava-se fácil para dois, graças ao jugo.

 

Todos naquela época sabiam que não se coloca animais de espécies diferentes no mesmo jugo para trabalharem juntos (Levítico 19.19). O texto de Deuteronômio 22.10 esclarece ainda: “Não lavrarás com junta de boi e jumento”. Da mesma forma que juntar um boi com o jumento no mesmo jugo era certeza de fracasso no trabalho, a união conjugal entre crentes e não crentes também.

 

Não há harmonia entre justiça e pecado, luz e as trevas, Cristo e o Maligno, muito menos no casamento de crentes e incrédulos. Não tente se juntar com alguém incompatível com a sua fé em Cristo. Mas você ainda me diz: “Ele é um quase cristão!” Veja bem, um relacionamento com um quase cristão é um quase namoro, um quase noivado, um quase casamento, uma quase felicidade, ou seja, um enorme risco de fracasso. Essa é a regra geral.

 

Não afirmo isso porque acho que é assim, a Bíblia nos revela algumas pessoas que embarcaram nesse caminho e se deram muito mal. Há um longo testemunho negativo que o Antigo Testamento oferece sobre essa relação: a história pessoal de Salomão (1 Reis 11.1-4), de Esdras (Esdras 10), e o consenso geral de que o povo de Deus deveria se unir com o povo da Aliança.

 

GUIAME