Coluna Especial

Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 18/05/2015

Cuidado com o sangue falso de um evangelho forjado

unnamed (1)Por estes dias descobri a existência de um tal Falso O. E aqui eu explico quem é este sujeito.
O mais provável acontecer na genética é que filhos nasçam com o mesmo tipo sanguíneo do pai ou da mãe. Mas existe um fenômeno raro que é também chamado Efeito Bombaim (leva este nome por ter sido descoberto inicialmente em Bombaim, na Índia) pelo qual a pessoa poderá possuir um tipo sanguíneo diferente dos de seus progenitores. Exemplo, pai A, mãe B, filho O. E o mais interessante ainda é que este aparente O pode não ser um O de verdade, entenderam? Pessoas portadoras dessa condição terão que fazer exames mais específicos para descobrir seu verdadeiro tipo sanguíneo.
Por isso esse fenômeno ficou conhecido como Falso O.

 

E pegando esse gancho de ser o que não é, Pedro, em sua segunda carta pastoral preocupou-se com o possível encontro entre duas partes, os crentes novatos com os falsos mestres, que naqueles dias já estavam tinindo no meio deles. E o pescador de almas temia muito que seus neófitos cruzassem nos corredores da fé com estes que se diziam mestres, mas não eram. O pior acabou acontecendo, e dois milênios depois podemos dizer que este encontro é constante.

 

Pedro advertiu a igreja sobre a necessidade de se manter distantes destes docentes enganadores. E como reconhecer o falso mestre? A­­ carta inteira responde a esta pergunta. Mas logo de cara ele assinala que estes podiam ser identificados pelo orgulho, pela obstinação e zombaria. E mais, eles sempre estavam muito à vontade com o sobrenatural e exibiam uma suposta fé inabalável. Você já não viu isso em algum lugar?

 

Entretanto, mesmo se preocupando com a vulnerabilidade do cristão novato, o apóstolo não os redimia da responsabilidade que cada um tinha com sua própria santificação. E, mesmo nessa condição inicial eles já teriam condições de identificarem o que é falso do que é verdadeiro. Bastasse seguir um trilho que os levaria para o mais longe possível desses lobos. E a rota certa traçada por Pedro era, desenvolverem virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, amizade cristã e amor.

 

E esta era a pegada segura que os levariam para bem longe da matilha!

 

Ao longo da minha caminhada cristã uma coisa de vez em quando me surpreende; crentes de igrejas fieis às Escrituras, de repente buscarem outras comunidades alegando estarem vazios e sem direção. Vi a muitos ingressarem em igrejas que não tinham o ensino bíblico consistente. Mas tinham o culto “avivado”. E em conversa com um desses crentes ele nos confidenciou que de manhã ia com a família em nossa igreja receber ensino, e à noite frequentavam uma outra que se dizia “renascida em Cristo” para “adorar”, por causa da sofisticação do louvor.

 

Sim, Pedro tinha total razão ao priorizar este alerta. Há pessoas que estão sempre aprendendo, mas nunca chegam ao pleno conhecimento da verdade, como bem disse Paulo. (2 Tm.3.7). Tem muita coisa errada com gente que, mesmo depois de frequentar muitas Escolas Dominicais ainda busca “algo mais”. O milagre ainda vai acontecer, a prosperidade ainda vai chegar. É a fé do ainda não: ainda não sou feliz, ainda não possuo o que mereço.

 

Na verdade, leia-se: Estou na igreja, mas ainda não tenho Cristo, e por isso a virada de direção da minha vida ainda não ocorreu. E então procuro…
Vida que segue, satisfação que não chega.

 

E são essas pessoas que se arremessam em uma busca desenfreada por igrejas e pastores ideais, que sempre se deparam com os modernos produtores da fé. E estes “espertinhos espirituais” já tem um esquema preparado para recebê-los. E Pedro os denuncia, são eles:
O contar fábulas. E o que é uma fábula? O próprio escritor responde quando diz que o evangelho da graça não era uma fábula, mas que homens seguiam habilidosamente contando mentiras sobre Deus, 2.1. Fábula é uma mentira enfeitada com caras e bocas.

 

O produzir “verdades” convenientemente encapsuladas, fora do contexto bíblico. “Esses mestres, em sua ganância dirão qualquer coisa para se apossarem do dinheiro de vocês” 2.3.
Entretanto, temos que registrar que essas práticas surgem do próprio desejo do crente imaturo em consumir essas fábulas e pílulas bem embaladas. Elas são práticas e rápidas para consumo, que satisfazem a necessidade da falta de tempo. “Não posso investigar na Bíblia, pois leio e não entendo”, “Não oro e não leio a Bíblia, mas preciso sentir algo”.
Preço pedido, preço pago. E isso era tudo o que Pedro temia.

 

Falando sobre crentes e lobos, pode-se afirmar que o pastoreio on line é a grande sacada do nosso tempo. A matéria de que são feitos os sonhos dos especialistas da fé é sem dúvida, a mídia. Os crentes são primeiramente mimados, depois seduzidos. Prometem edificação sem compromisso, comunhão sem riscos. O conforto da substituição do pastor pelo monitor, traz como beneficio a chateação zero do encontro na igreja. Esse é o “nada mais a pagar” do marketing cristão. Fique em casa e seja feliz.

 

Programas de TV são um meio legítimo de pregação do evangelho e devem ser utilizados, mas o que se vê em muitos casos são pastores tão perto e tão longe, que não mais se obrigam a cuidar de ovelhas de carne osso.

 

Mas, Pedro alerta, “Esses homens são tão inúteis quanto fontes de agua que secaram, prometendo muito e não dando nada” 2.17. E mais. Há uma retribuição tanto para os falsos mestres que serão destruídos pela sua própria injustiça, quanto para as ovelhas ingênuas descuidadas, pois correm sérios riscos.

 

Bem no final da carta ele diz, “Eu estou advertindo vocês de antemão, queridos irmãos, para que possam vigiar e não ser levados pelos erros desses homens maus, a fim de que vocês mesmos não sejam confundidos e caiam. Mas cresçam em força espiritual e conheçam melhor o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” 3.17. Em outras palavras, façam o teste, tirem a prova para ver se, de fato, vocês estão na fé verdadeira, e não entre lobos.

 

Por Sady Santana: Sobre crentes e lobos.