Destaques

Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 20/03/2018

Empresa na Bahia é condenada a pagar R$ 10 mil para funcionária de call center por controlar ida ao banheiro

Uma empresa no município de Feira de Santana, a cerca de 100 quilômetros de Salvador, foi condenada a pagar R$ 10 mil por danos morais a uma funcionária de call center que era impedida, algumas vezes, de ir ao banheiro durante o horário de trabalho.

 

A decisão, da 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT5-BA), foi divulgada à imprensa nesta terça-feira (20). Ainda cabe recurso.

 

De acordo com o TRT, a funcionária chegou a ter o pedido indeferido pela 6ª Vara do Trabalho de Feira de Santana. Entretanto, ela recorreu e a 5ª Turma do TRT-BA, que julgou a ação procedente e condenou a empresa.

 

Na ação, a funcionária dizia que o uso do banheiro estava condicionado a pedido de autorização do supervisor. Ela afirma que era humilhada, tratada com palavras ofensivas e ameaçada de demissão por não ter cumprido as metas e por “ultrapassar mais de cinco minutos quando necessitava de ir ao banheiro para fazer suas necessidades fisiológicas”.

 

Ela também diz que sempre tinha controlados os horários e quantas vezes usava o sanitário, inclusive, sendo negado o uso. Para a 5ª Turma, “a restrição do uso do banheiro ofende a dignidade do trabalhador e a sua integridade física e psíquica, visto que não se pode controlar a periodicidade da satisfação de necessidades fisiológicas de cada pessoa”.

 

A decisão destaca que uma testemunha do processo afirmou já ter presenciado a funcionária ser impedida de ir ao banheiro, e que também já tinha passado por essa situação algumas vezes.

 

A decisão também lembra que consta na Norma Regulamentadora 17 (NR), do Ministério do Trabalho, uma regra expressa sobre a proibição de controle ou restrição pela empresa ao acesso dos operadores ao banheiro, pois extrapola o poder diretivo do empregador.

 

O G1 entrou em contato com a empresa condenada, Atento Brasil S/A, e aguarda envio de posicionamento sobre a decisão da Justiça.

 

Caso semelhante

 

Em outubro de 2017, no sul da Bahia, a unidade de Itabuna da empresa de call center foi interditada por irregularidades trabalhistas durante ação realizada a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT) por auditores-fiscais, com o apoio da Polícia Federal.

 

Segundo os órgãos, “graves irregularidades” na forma de controle da jornada dos empregados foram o motivo da interdição total da unidade. A mesma empresa é alvo de outros inquéritos e ações civis públicas movidas pelo MPT por situações que envolvem assédio moral, problemas na oferta de alimentação aos funcionários, atrasos no pagamento de salários e controle de idas ao banheiro.

 

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

 

 

G1 BAHIA