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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 12/09/2016

Escolinha do Professor Raimundo está de volta com seus alunos impagáveis

RTEmagicC_Bruno_Mazzeo_o_Professor_Raimundo_da_Escolinha_cred_Pedro_Curi_TV_Globo_cortada_01.jpgNos bastidores da Escolinha do Professor Raimundo, o clima equivale ao de uma turma entusiasmada com a volta às aulas. “Parece que passamos de ano e estamos retornando das férias, cheios de alegria e entusiasmo”, brincou o ator paulista Marcos Caruso, 64 anos, o Seu Peru, em entrevista durante o lançamento do programa que estreia segunda temporada amanhã, no Canal Viva.

 

Um dos clássicos do humor brasileiro, criado na década de 1950 e exibido pela Globo nos anos 1990, a turma do professor eternizado por Chico Anysio (1931-2012) está de volta. São dez episódios inéditos que vão ao ar no Canal Viva, de segunda a sexta, às 20h30, a partir de amanhã, e 16 episódios exibidos na Globo, em outubro, sendo seis inéditos. Os 20 personagens emblemáticos e renovados garantem o humor da atração, que tem direção de Cininha de Paula e texto de Daniel Adjafre e Péricles Barros.

 
“É um privilégio poder fazer esse personagem”, comemora o ator carioca Bruno Mazzeo, 39, que herda o personagem do pai e dá vida ao Professor Raimundo. “Me sinto muito feliz em poder dar continuidade a essa obra e ver que ela ainda tem espaço hoje e que continua viva no imaginário do público”, completa o ator, que já passou pela situação de um taxista chorar ao ver ele entrar no carro e lembrar do seu pai, Chico Anysio.

 

O desafio, segundo Mazzeo, “é fazer com que aquele público se sinta homenageado e que o público mais jovem conheça esse programa que faz parte da história da comédia brasileira”. Assim, a Escolinha preserva o formato e os personagens, interpretados por atores diferentes dos originais. Além disso, a atração tenta garantir que as piadas se mantenham fieis às características do programa.

 

O roteiro reflete questões atuais como a crise, “mas, claro, os temas são abordados em tom de brincadeira”, garante Mazzeo, que na última quarta protagonizou o fim da temporada da série E Aí…Comeu?, baseada no filme homônimo.

 

À Vontade

 

O episódio de estreia da Escolinha brinca com a polêmica das biografias quando Seu Batista (Rodrigo Sant’Anna) aproveita a ausência do Professor Raimundo e distribui autógrafos da biografia não autorizada que escreveu sobre o mestre. Enquanto a fila de alunos se forma, o Professor entra na sala e flagra a cena.

 

“O Batista sempre faz coisas que colocam à prova a idoneidade do professor. A adoração dele em relação ao Professor Raimundo acaba colocando-o em situações embaraçosas”, diverte-se o ator carioca Rodrigo Sant’Anna, 35, que vive Seu Batista e está em Salvador com a peça Segundo Turno de Risadas. “Fico orgulhoso pela credibilidade que a casa me deu em fazer parte de um elenco tão grandisoso”, completa Sant’Anna.

 

A lista é extensa, mas vale citar alguns do 20 personagens clássicos da Escolinha: Seu Boneco (Marcius Melhem), Zé Bonitinho (Mateus Solano), Rolando Lero (Marcelo Adnet), Dona Bela (Betty Gofman), Cacilda (Fabiana Karla), Tati (Fernanda Souza), Ptolomeu (Otaviano Costa), Aldemar Vigário (Lucio Mauro Filho), Galeão Cumbica (Kiko Mascarenhas) e Catifunda (Dani Calabresa).

 
“Acredito que nós estamos ainda mais à vontade e descontraídos durante as gravações. Estamos tomando ‘posse’ dos personagens e isso é sempre positivo para a comédia”, comenta Bruno Mazzeo, sobre os atores que se mantém iguais aos da primeira temporada e ocupam o lugar de atores originais como Rogério Cardoso, Lúcio Mauro, Jorge Loredo, Orlando Drummond, Nizo Neto e Cláudia Jimenez.

 

Denúncia

 

Ainda no episódio de estreia da Escolinha do Professor Raimundo, Zé Bonitinho chega atrasado porque seu Bonitomóvel foi parado na blitz da Lei Seca. Seu Boneco, por outro lado, traz novidades: anuncia que agora é lutador de UFC. Mas tem um detalhe: o Ultimate Fight Championship vira, na versão do personagem, o Ultimêiti Fáiti Caxia.

 

Paralelo a isso, Ptolomeu tempera suas explicações com números musicais e sua estreia acontece com uma versão do hit Ex Mai Love, da cantora paraense Gaby Amarantos. Os próximos serão Luciano Pavarotti, Reginaldo Rossi, Mr. Catra, Wesley Safadão e Joelma.

 

Dona Catifunda também traz novidades na estreia da segunda temporada: a animadora de festa infantil conta que inovou na profissão e vai lançar brincadeiras como milícia-e-ladrão, sequestrinho- relâmpago e pic-pega zika vírus.

 

Esses e outros temas fazem parte desta nova temporada do humorístico, que carrega na graça para abordar temas contemporâneos que podem ser sérios e por vezes um tabu.

 

Questionado se o humor é um aliado para falar de temas polêmicos, Rodrigo Sant’Anna destaca que sim, apesar de muitas vezes ser mal interpretado. “Estamos em uma geração bastante chata do humor. O politicamente correto não é nada bacana. O deboche, o escárnio é o contrário disso tudo. O humor acaba satirizando tudo o que é sóbrio e parece que as pessoas estão sem bom humor. As questões acabam sendo depurpadas e isso é muito chato”, critica.

 

Bruno Mazzeo destaca que o humor “nos ajuda a trabalhar algumas questões com maior facilidade e também trazer assuntos tabus com uma maior leveza, sem deixar de falar do problema e de suas consequências” para a sociedade. “Eu acho que precisamos de cada vez mais um humor mais atuante e que traga à tona questões da nossa sociedade que estão por baixo dos panos. Uma das funções do humor é justamente ‘denunciar’ o que está errado”, completa.

 
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