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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 10/03/2018

Fiscais fecham igreja de pastor que vendia carro de ‘luxo’ e culpava ‘Satanás’

Fiscais da Prefeitura de Guarujá, no litoral de São Paulo, interditaram um imóvel utilizado pelo pastor Gustavo Reis, da Igreja Luzz, como pousada e local para a realização de cultos, por conta de irregularidades. Segundo a prefeitura, o religioso foi multado em R$ 5.695,44 e também será denunciado à polícia por ameaça.

 

O pastor é o mesmo que teve equipamentos de som apreendidos durante o carnaval, por, conforme a administração municipal, forjar um evento religioso na Praia de Pernambuco para lançar a réplica de um carro de luxo. O veículo, na verdade, é um Chevette da década de 1980 modificado. O religioso culpou ‘Satanás’ pelas ações.

 

Desde quando a força-tarefa da prefeitura passou a investigar o pastor e identificar as irregularidades, Reis não havia mais sido localizado no imóvel, na Rua das Acácias. “Ele fugiu. Permaneceu desaparecido desde então, depois da repercussão das situações que criou”, explica o secretário de Defesa e Convivência Social, Luiz Cláudio Venâncio Alves.

A equipe, formada por fiscais municipais, guardas civis e soldados da Polícia Militar, passou a monitorar a propriedade, onde o carro que ele lançou também era guardado, sob uma capa protetora. O local, além de ser utilizado como pousada, tem uma área para cultos e era alugado para a realização de eventos de terceiros.

 

“Soubemos que um casamento aconteceria no local durante o fim de semana. No momento em que os noivos devolveriam as chaves ao Gustavo, nós o abordamos e informamos que o imóvel estava sendo interditado por uma série de irregularidades”, afirmou o secretário, cuja pasta é responsável pela força-tarefa.

Luiz Cláudio informou que o local não possui licença municipal para funcionar e também está com o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) em desconformidade. “Sem alvará, jamais aquela área poderia ser utilizada como hotel, para eventos ou outra coisa. E o auto dos bombeiros estava com dados falsificados”.

 

Mesmo sendo procurado pelos fiscais da prefeitura desde a apreensão dos equipamentos no carnaval, o G1 apurou que o pastor foi visto durante o período na Secretaria de Infraestrutura e Obras. Ele foi solicitar a um diretor autorização para intervenções na propriedade, que foi interditada pela municipalidade.

“Além de todas as irregularidades, o pastor certamente deverá ser denunciado à polícia por uma série de ameaças que fez contra o prefeito, e que publicou na internet. As postagens foram muito compartilhadas. Outras representações deverão ser feitas contra ele por parte da prefeitura”, finalizou o secretário.

 

Apesar de aparecer nas imagens registradas no momento da interdição, divulgadas pela prefeitura, o pastor Gustavo Reis afirmou ao G1 que “não estava sabendo” do ocorrido. Ele também se recusou a responder outras perguntas e disse que somente o advogado dele poderia falar sobre o caso. O defensor não foi localizado até a última atualização dessa reportagem.
Satanás

 

Antes de realizar o evento desmontado por fiscais da prefeitura, o pastor Gustavo solicitou autorização à administração municipal. “Objetivo: reunir cristãos da cidade de Guarujá para comunhão e propagação do evangelho de Cristo Jesus aos moradores e turistas, através do evangelismo e culto”, escreveu no ofício.

 

A Secretaria de Cultura da cidade, entretanto, não autorizou a realização da atividade, por entender que não se tratava de uma ação de cunho religioso. Mesmo assim, uma força-tarefa montada pela prefeitura, com o apoio da Guarda Municipal e da Polícia Militar, monitorou a divulgação da ação nas redes sociais.

 
G1