Destaques

Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 25/11/2016

França proíbe anúncio de crianças com síndrome de Down para não ‘perturbar’ mulheres que abortaram

1703830195-crianca-sindrome-de-downO Conselho de Estado da França proibiu a veiculação de um anúncio que apresenta crianças com Síndrome de Down, temendo que as imagens façam as mulheres se sentirem culpadas por abortar.

 

O vídeo “Dear Future Mom” (“Querida Futura Mamãe”, em português) foi produzido pela organização CoorDown, que defende crianças que lidam com este tipo de deficiência. As imagens mostram crianças e jovens portadores do distúrbio que, sorridentes, tranquilizam uma mulher grávida que está preocupada com o futuro de seu filho.

 

Embora o anúncio tenha recebido seis prêmios no Festival de Cannes, o governo francês proibiu sua veiculação por considerar “inapropriada” a expressão de felicidade das crianças, porque elas podem “perturbar a consciência de mulheres que tomaram escolhas de vida legalmente diferentes”.

 

A Aliança Global para Deficiência na Mídia e no Entretenimento iniciou uma petição para barrar a proibição do governo francês. Quase 4 mil assinaturas foram reunidas até o momento.

 

“A proibição discriminatória do vídeo mostra que as pessoas com síndrome de Down não são bem-vindas na sociedade e tem impactado a comunidade portadora do distúrbio em todo o mundo, que tem visto a decisão do Conselho de Estado como uma rejeição do esforço para romper os estereótipos negativos e preconceitos sociais”, afirmou a organização.

 

De acordo com Renate Lindeman, mãe de duas crianças com síndrome de Down e defensora dos direitos dos deficientes, afirmou que a proibição cria um muro de separação entre os portadores da doença e a sociedade. “Será que as crianças com síndrome de Down serão banidas das escolas? Será que elas vão ser segregadas da sociedade e colocadas em instituições como nos velhos tempos, porque sua presença perturba os pais que abortaram?”, questionou.

 

“É como se esta proibição afastasse as pessoas com síndrome de Down, porque sua presença ‘confronta’ a realidade”, acrescentou Renate. “Eu tenho uma idéia muito melhor: não vamos proibir o vídeo, mas tornar esse vídeo obrigatório para todos os casais que consideram o aborto um método seletivo para a doença. Vamos mostrar a eles que, na verdade, as famílias com síndrome de Down têm uma ótima qualidade de vida”.

 

GUIAME