Coluna Especial

Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 30/08/2016

Maldades que o tempo não muda

f087ea0a7c536a0c498a768c81f42db0e33360f7Sempre estamos presos às circunstâncias da época, o momento histórico que vivemos é único. Por exemplo, hoje se fala de um novo modelo de família que difere da tradicional, ou, temos a questão do avanço tecnológico, mas essas coisas não se falavam no passado, lá o papo era outro. Imagine como era o período do início da monarquia de Israel, época do personagem bíblico Saul.

 

Naquele tempo, o que se via era o barbarismo sangrento, a cultura Cananeia da idade do Ferro era de matança, viviam o que chamamos de “olho por olho e dente por dente”. Não o julguemos por isso, pois, eles estão presos a sua época histórica, até os bonzinhos para estabelecer um reino de paz precisavam devastar outros povos, a vingança era na guerra e a vitória era a morte ou humilhação do oponente.

 
Neste contexto, o rei Saul entende que ganhou um novo adversário, um jovem que antes o havia ajudado e permanecia fiel ao seu lado passa a ser motivo de sua inveja. Talvez porque esse jovem era bem famoso, matava filisteus, era querido e cotado como um novo dono da coroa. Logo, o rei Saul fica obcecado em matar o jovem de nome Davi. Um ciúme doentio consumia Saul. Duas vezes em sua própria casa, ele tentou matar Davi exatamente quando este buscava com sua música acalmar o rei emocionalmente transtornado (1 Sm 18.10-11). Tendo falhado nessas tentativas, Saul o enviou mais uma vez contra os filisteus como comandante de somente mil soldados, com a intenção de expô-lo à morte na linha de combate. Mas Davi voltou triunfante (1 Sm 18.12-16). Matar Davi passou a ser uma obsessão para o rei. Não conseguia pensar em mais nada.

 
Claro que estamos nos retratando de uma história de um período antigo, mas a narração bíblica nos aponta para uma realidade. Em nossa época, pelo menos no Ocidente, ninguém saí matando o inimigo por seus atritos, apatias ou interesses, isso pode existir em casos extremos, mas não é a regra da sociedade, pelo menos não da população comum. Agora, o que não mudou é a inveja, ódio, traição, orgulho e as pessoas que definimos como nossos adversários; essas características de Saul são bem presentes em nossa contemporaneidade. Nosso período histórico difere do de Saul, mas a condição humana é a mesma. Nossa familiaridade com os sentimentos de Saul são inegáveis.

 
Bom, fica a seguinte pergunta: como reagimos hoje, nessa época, com nossas invejas, ódios, orgulho e etc.? Ei, temos que perceber que temos maldades e não podemos motivá-las. Em acontecimentos corriqueiros, precisamos entender que se não evitarmos dar vasão ao mal destruiremos pessoas.

 
A inveja faz com impeçamos que o nosso “semelhante” alcance um melhor cargo na empresa, ou, faremos com que nosso “adversário” sai da nossa rotina de vez ao dedurá-lo para o encarregado até que perca o emprego. Essa inveja também faz com que pastores levantem diáconos e presbíteros que não possam prejudicar seu posto, aonde líderes querem pessoas submissas e às vezes até sem chamado, para que se perpetuem com seu orgulho de poder. E não só isso, quando aparece alguém que pode “garimpar” o cargo do líder, este logo da um jeito de afastar o dito do caminho.

 
Temos inveja entre irmãos, familiares próximos e distantes, de vizinhos e torcemos para que todos estes não deem certo, ou que não sejam melhores do que nós. Sem falar do ódio que alimentamos, ele é terrível, partimos para briga e falamos todas as palavras possíveis para humilhar outrem, o objetivo é deixar o outro se sentindo um lixo. Nosso orgulho faz com que erremos com o “semelhante” de propósito, sem nem nos arrependermos por isso, acabamos machucando o outro e vivemos como se nada tivesse acontecido.

 
Pensamos ser diferentes das pessoas do passado porque não fazemos sangue em nossas relações de ódio, orgulho, inveja e traição. Mas, para uma sociedade que vive após Jesus Cristo, atingimos o outro pelo próprio ódio, inveja e orgulho, ao invés do amor.

 
Em nosso tempo, talvez você não tente tirar a vida do “inimigo”, mas sempre se permite ferir o outro de alguma forma, por isso, diante de nossas semelhanças com Saul, não podemos agir como ele, antes, devemos lembrar que nosso tempo é aquele em que o reino dos céus deve chegar até as pessoas, reino no qual pegamos nossa cruz e seguimos Jesus, que significa amar os inimigos e orar pelos que nos perseguem.

 
GOSPEL PRIME