Coluna Especial

Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 20/11/2015

O doloroso trabalho de descer o berço

12208424_979906765385775_5495833652360946549_n-300x300Leio muitos artigos sobre o sofrimento das mães na gravidez, no parto, no pós parto, na amamentação e muitas outras coisas. Esse sofrimento não se compara com a alegria de ter o filho, mas é inegável que ser mãe é uma mistura de alegria e sofrimento. O que ninguém fala muito é o sofrimento do pai.

 

 

Hoje caiu sobre mim uma daquelas tarefas que sempre cabe ao pai, o de abaixar o berço. Confesso que pensei que seria moleza, afinal de contas é só pegar uma chave de fenda, tirar tudo do berço, abaixar o estrado e colocar tudo de volta. Mas não foi tão simples assim, não pelo serviço braçal, mas pela reflexão que o pai faz ao exercer essas pequenas funções.

 

 

Descer o berço é subir a grade, é a tentativa de guardar com segurança por alguns meses a mais o seu filho pequeno dentro do lugar seguro, descer o berço é admitir que o tempo está passando muito mais rápido do que o pai gostaria e que seu pequeno não é tão pequeno mais, descer o berço é reconhecer que a cada dia o filho dependerá menos de nós, descer o berço é desapegar da segurança calculada e se apegar a fé de que a cada dia que passa teremos que confiar mais em Deus, pois essa segurança se diluirá na mão do pai e só resta orar para Deus proteger.

 

 

Ver o filho crescendo, para mim que sou pai, é doloroso pois cada dia que passa mais o meu controle como pai diminui, e mais dependo do controle do outro Pai. E como eu queria passar logo para o meu filho a importância de amar e estar perto do outro Pai, como passar de um colo para o outro.

 

 

Mas esse tipo de amor não se herda, é muito mais na vivência do dia a dia, nos pequenos gestos de oração antes de dormir ou comer, nas musiquinhas de gratidão que cantamos e ensinamos, nas histórias lindas que contamos da bíblia e, principalmente em passar por esses marcos, como descer o berço, confiando que o verdadeiro Pai está no controle.

 

 

Poucos falam sobre o sofrimento que temos nessas pequenas tarefas. Deve ser porque gostamos de fingir para as mamães que somos fortes e inabaláveis, mas tarefas como segurar o filho na vacina, descer o berço, trocar a cadeirinha do carro por uma maior, guardar o tapetinho de brincar porque o filho não precisa mais, dói e dói muito.

 

 

Talvez esse relato se perca com muitos outros sobre o grande sofrimento das novas mamães, e talvez seja bom assim mesmo, pois vamos continuar fingindo que somos inabaláveis e que o super homem estará sempre aqui para quando a mamãe e os filhos precisarem.

 

 

GUIAME