Coluna Especial

Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 06/09/2016

“Obra social não é chamado, mas sim obrigação da Igreja”, diz Luiz Hermínio

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A obra social não faz parte de um chamado da Igreja, mas sim de sua obrigação. Assim define o apóstolo Luiz Hermínio, líder do ministério MEVAM, o papel do Corpo de Cristo em relação aos trabalhos de assistência social.

 

“Na realidade, o chamado da Igreja é cuidar de gente e não juntar pessoas. A Bíblia diz que a verdadeira religião é aquela que visita os órfãos e as viúvas nas suas tribulações [Tiago.1:26-27]”, disse ele em entrevista ao Guiame durante o segundo Café Com Pastores realizado em São Paulo.

 

“Quando Elias começou seu ministério, o Senhor mandou ele ir até a casa do órfão e da viúva para multiplicar o azeite e a farinha. Se a unção de Elias vai voltar, nós temos que começar pela casa do órfão e da viúva — não pelo púlpito. O púlpito é a expressão do que nós fazemos. Jesus não só ensinava, ele fazia”, afirma o apóstolo.
Hermínio enfatiza que o chamado da Igreja é pregar o Evangelho, mas alimentar as pessoas é sua obrigação. Para definir a atuação dos cristãos, ele usa o trecho bíblico de Provérbios 31:8-9: “Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados”.

 
“A Igreja tem que fazer justiça porque as pessoas têm direitos. Qual o direito das pessoas? Serem amadas. Qual a obrigação da igreja? Amar. Você não vai chegar para um morador de rua e dizer “Jesus te ama”. Você tem que levar alguma coisa para ele comer”, explica.

 
Quando algumas pessoas disseram à Hermínio que pararam de distribuir alimentos por não terem espaço para abrigar os moradores de rua, ele os incentivou: “Se você não tem onde levar, dê a comida. Se você não tem a comida, dê água. Se você não tem água, dê um abraço, mas dê alguma coisa”.
A barreira do dinheiro
Muitas igrejas têm dificuldade de implantar o assistencialismo por ter um foco financeiro distorcido, segundo o apóstolo. Ele explica que muito disso se deve ao entendimento equivocado do dízimo, descrito em Malaquias 3:10: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa”.

 
“[A Bíblia indica o dízimo] para que haja mantimento, não manutenção. Hoje os recursos são usados mais para manutenções do que para mantimentos. O mantimento é para manter pessoas no ministério. De que adianta uma igreja com estrutura se não há gente para trabalhar?”, questiona Hermínio.

 
“Infelizmente, às vezes eu vejo que — mas acho que isso já está acabando — nós temos templos milionários com pessoas necessitadas dentro e até sentadas no púlpito. Deus está trazendo uma transformação nisso. Deus está nos ajudando a entender que o recurso é para se usar também no mantimento. Quando Deus queria construir algo, Ele fazia ofertas”, afirma.

 
Fora dos púlpitos

 
Em todos os lugares em que um MEVAM é implantado, a base da igreja é a obra social. Em Itajaí, sede da igreja, o ministério abriga 14 projetos sociais que vão desde restaurante com comida à vontade para moradores de rua até um sítio para o tratamento de deficientes mentais.
“Esse é o nosso trabalho”, afirma Hermínio. “O que está acontecendo nos púlpitos só evidencia aquilo que nós estamos fazendo. É por isso que a palavra entra com tanta força no coração das pessoas, porque nós não estamos falando uma coisa que não fazemos. Estamos expressando o que estamos estabelecendo”.

 

“Não adianta a igreja ir para o púlpito manifestar, se ela não está estabelecendo fora do púlpito”, conclui.

 
GUIAME