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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 16/10/2017

Padre diz que Igreja Católica perde fiéis por “marketing evangélico agressivo”

Padre Zezinho foi o primeiro “padre cantor”. Compôs mais de 1700 canções e escreveu 90 livros, sendo uma das vozes mais influentes na Igreja Católica do Brasil.

 

Nascido José Fernandes de Oliveira, aos 76 anos ele continua ativo, embora esteja longe dos palcos há anos, recuperando-se de um AVC, sofrido em 2012. Suas músicas já foram regravadas pelos padres Marcelo Rossi, Fábio de Melo e Reginaldo Manzotti, e algumas ganharem versões nas vozes de Luan Santana, Zeca Baleiro e Roberto Carlos.

 

Em entrevista à revista Veja, padre Zezinho analisou como anda a igreja católica no país e reclamou da “concorrência” com os evangélicos. Surpreendentemente, disse que existe uma confusão no limite entre ser sacerdote e ser celebridade.

 

“O Papa Francisco já deixou muito claro que não quer padres artistas. O padre tem que ter “cheiro” de ovelha, tem que andar misturado ao povo… Agora, se o padre sobe no palco e depois some num carro cheio de guarda-costas e não fala com o povo, é um artista”, disparou, sem citar nomes.

 

Zezinho diz que continua compondo que considera a música católica “muito boa”. Contudo, reconhece que, de modo geral, os artistas gospel têm mais sucesso. “O que acontece é que os evangélicos são muito bons de marketing”, minimiza.

 

Ao falar sobre os motivos de a Igreja católica estar continuamente perdendo fiéis para os evangélicos, ele voltou a usar o argumento. “O marketing deles é muito agressivo. Basta ligar a televisão e ver as garantias que eles dão, os milagres que prometem. Nós católicos também presenciamos milagres, só que não fazemos propaganda disso e a multidão que vai a Aparecida está aí para provar. Só que eu não saio gritando por todos os cantos, nem expulso demônios em público, muito menos uso o palco para me exibir”, assevera.

 

Para o padre, os católicos “tem o mérito de saber refletir”. Diz ainda que a ideia de o Brasil passar a ser um país de maioria evangélica não o assusta. “Quem quiser ir embora, pode ir. Eu continuo tentando ser um bom padre católico”, avisa.

 

Ao falar sobre os grupos evangélicos que criticam as práticas católicas, ele dá de ombros: “Os únicos que tem dificuldade de dialogar conosco são as novas igrejas que buscam adeptos. Quem acha que a Igreja Católica não dialoga é porque também está querendo se impor.”

 

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