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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 29/03/2016

Para Edvaldo Lima, gay é discriminado porque se exibe

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Evangélico convertido aos 10 anos de idade em sua terra natal (Rui Barbosa), o vereador Edvaldo Lima está há 50 anos na igreja. Presbítero da Assembleia de Deus, já assumiu o comando como pastor em diversas igrejas em Feira de Santana. Rodoviário, entrou para a política por meio do sindicato e na terceira eleição que disputou para a Câmara, conseguiu vencer em 2012.

 

Oposicionista do governo municipal, Edvaldo mostra-se também um ferrenho adversário das chamadas causas LGBT. É tão fundamentalista que para ele nem seus colegas evangélicos adotam uma postura adequada quando se trata da “defesa da família”. Edvaldo é contrário a concessões a homossexuais, alegando que todos estão protegidos pela Constituição quando esta afirma que todos são iguais.

 

O senhor demonstra uma preocupação muito grande com homossexualidade. Não é exagero?

 

Não é uma preocupação com os homossexuais. A questão é as leis que estão criando e sendo aprovadas dentro das Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas, e na Câmara Federal e Senado, pra dar direito a um grupo. O direito já está registrado na Constituição Federal quando o artigo quinto da Constituição Federal diz que todos somos iguais perante a lei. Por que tenho agora que rasgar a Constituição, pra dar um direito a mais a um? Quando estou fazendo uma lei para dar direito a um homossexual, por que não faço uma lei para abranger todos os cidadãos, que têm o mesmo direito? Cota para negro, eu sou contra. Porque está dizendo que eu sou burro, que não tenho capacidade, que porque tenho minha cor escura não tenho capacidade de estudar pra passar igual o filho do branco. Então eu sou contra cota pra negro, lei pra os homossexuais. Penso que devemos ficar com o artigo quinto da Constituição, que tá todo mundo contemplado. Um projeto dizendo que tem que ter política pública para os homossexuais? Então os outros não precisam?

 

Quem propõe estas leis entende que são grupos discriminados na sociedade, que sofrem mais que os outros e por isso precisam ser compensados para se chegar à igualdade.

 

Sinceramente não penso assim. Nós que somos heterossexuais temos nossas relações dentro de quatro paredes. Não precisa a gente estar alardeando que vai manter relações com a mulher. Eles se sentem discriminados porque eles mesmos se discriminam quando vão para as esquinas e botam uma roupa diferenciada e chama atenção. É a discriminação que eles mesmos fazem contra eles. Tem muitos que fazem os seus programas lá e ninguém sabe. Aí não vai discriminar. Seu “Chiquinho”, vamos dizer. É homossexual, faz o programa dele, ninguém toma conhecimento, tá tudo bem. Mas quando bota uma roupa, uma saia e vai pra esquina à noite… Eu passo e vejo. Se você parar o carro até lhe atacam. Então é nisso que estão se discriminando. E como se sentem discriminados, vão buscar alguém pra representar, pra fazer lei.

 

A pessoa é um travesti. Vai pra esquina conseguir um programa e é vítima de uma surra, de um tiro, de um atentado, por que não poderia ser travesti sem que ninguém se incomodasse? Se a pessoa quer um programa vai. Se não quer, passa direto e acabou-se. Não deveria ser assim? A discriminação é a pessoa não poder ser o que ela quer ser.

 

As pessoas que fazem esses programas, que chega na esquina, pega um travesti, é porque já vai mal intencionado. Se o cidadão é homem, por que não foi procurar uma mulher? É porque já está mal intencionado pra fazer o mal àquela pessoa.

 

Mas os homossexuais não são todos travestis. Existem casais homossexuais. Eles devem ficar escondidos?

 

Sim. Num restaurante, vai entrar dois homens agarrados e se beijar, na frente dos outros casais? Isso cria um problema para as crianças, que vão olhar pra mãe e pro pai e perguntar ‘e eles dois se beijando aí, pai?’.

 

Mas o senhor não disse que todos são iguais perante a lei? Se os dois querem, não têm o mesmo direito que os outros?

 

Pode até contradizer minha linha de pensamento de não discriminar. Se os dois estiver sozinho numa ilha deserta ou dentro de um quarto, não vai chamar atenção. O problema é estar no meio de toda uma sociedade e dois homens lá se atracando e beijando, perto das crianças. As crianças vão fazer pergunta pro pai e o pai e a mãe vai responder o que?

 

Os evangélicos não discriminam.Nós tentamos de toda maneira trazer um benefício para esses que se sentem discriminados. Nós atendemos. No meu gabinete eu atendo, na igreja já atendi vários.Nossos líderes atendem. Nós falamos que aquilo não vai levar ele a lugar nenhum, que seria melhor que recuassem. Tivemos alguns casos na igreja Assembleia de Deus. Conseguimos através da oração, da orientação psicológica e espiritual com um jovem, que deixou de ser homossexual, casou na igreja e hoje tem cinco filhos. É um pai de família, bem aceito na sociedade. Foi através da oração, do psicólogo da igreja que orientou ele.

 

O senhor já não viu casos de pessoas que tentaram e não conseguiram?

 

É, porque precisou de mais oração, da gente orar mais. É igual um professor quando tem um aluno que consegue fazer o A, mas não o B. Aí o professor começa a dar mais atenção praquele. Os homossexuais acho que precisam do apoio de pessoas. Não de outros homossexuais, mas pessoas que tenham aproximação com eles e orientá-los, orar com eles. Acho que muitos deixariam.

 

Recentemente o senhor invocou a passagem bíblica “Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velha não se desviará dele”, quando falava de um menino de cinco anos que queria ser tratado como menina. O senhor acha que os pais devem decidir pela criança?

 

Enquanto for criança, sim. Uma criança de cinco anos, ela não sabe sua mão esquerda nem sua mão direita. Está sob orientação dos pais. O Estado não pode se meter na orientação dos filhos. Os pais estão na obrigação de orientar o filho, porque ele não tem discernimento. Uma criança de cinco anos não pode mudar de sexo. Não tem o pensamento concreto pra saber o que vai querer da vida. Quando chegar com 16 anos já sabe mais ou menos o que quer.

 

O senhor não acredita que a pessoa já nasce assim e não adianta tentar mudar?

 

Não acredito. É de acordo com a própria família deixar ele ser levado. É criança, não sabe o que quer. Vai seguir o que está vendo e ouvindo. Eu não sei como era a orientação desses pais. Mas certamente ele pegou essa tendência de começar a brincar com boneca porque deram oportunidade a ele para continuar brincando. Se o pai, a mãe não desse, desse um carrinho ou outro brinquedo, ele ia brincar com aquele. Como os pais deram boneca, o filho vai crescer brincando com boneca. Lá na frente, se ele quiser continuar como homem, vai dizer ‘que história é essa? Eu tava brincando com boneca? Meus pais tavam me dando boneca pra brincar? Não quero saber. Quero saber agora é de um carro, de outras brincadeiras e seguir outro caminho’. Creio que o pai e a mãe é essencial para orientar os filhos e eles seguirem o caminho correto.

 

Algumas vezes o senhor já criticou a postura de colegas evangélicos. O senhor acredita que uma parte desta bancada não está ‘honrando o voto recebido?

 

Eu diria que está em cima do muro. Eu defendo a bandeira de Cristo. Vou defendê-lo até me matando. Pode me matar, mas não vou negar Cristo. Entendo que o cristão deve seguir esse parâmetro, seguir a Cristo. Agora se diz ‘vou seguir a Cristo e a Baal’ [deus pagão da Antiguidade citado no Velho Testamento], está em cima do muro e não sabe pra onde vai cair. Eu tenho lado.

 

Todos estão em cima do muro?

 

Todos me criticaram na época. Todos ficaram contra mim. Bateram muito em mim, porque só eu fiquei defendendo os valores familiares, naquele projeto pra fazer a cartilha gay. Dos que estavam na casa, todos foram a favor e ainda bateram contra mim. Critiquei e critico porque ficaram em cima do muro.

 

O senhor chegou a ser processado por Justiniano França. Chegou ao fim o processo?

 

Chegou, há uns 15 dias, quando ele me procurou, e me fez um pedido de perdão. Você vê como é o cristão. Me procurou, fez o pedido de perdão, eu o perdoei. Convoquei os pastores para estar presente, ele levou o pastor da igreja dele, ouviram a confissão, ele pediu perdão, naquele exato momento nos perdoamos. O advogado estava presente, que é da igreja, e perguntou como fica o processo. Na mesma hora ele ligou para o advogado dele, botou pra falar com o meu, acertaram e retiraram o processo.

 

Mas ele lhe pediu perdão por que, se no processo ele é que se dizia ofendido e dizia que o senhor estava falando mal dele para a comunidade evangélica?

 

Ele me pediu perdão porque reconheceu que naquele exato momento deveria estar do meu lado pra defender a família, na questão de não ir uma cartilha gay pras escolas. Não é legal o município, o estado, tentar fazer uma cartilha gay pra ensinar as pessoas.

 

As informações são do Tribuna Feirense.