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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 25/04/2016

Perguntas e respostas para não deixar a gripe H1N1 pegar você

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Os sintomas são parecidos com os de uma gripe comum: tosse, febre, dores no corpo e na garganta. Mas a infecção pelo vírus H1N1 — que no passado ganhou o apelido de “gripe suína” — já causou 91% das mortes por gripe no país este ano. Segundo o Ministério da Saúde, dos 167 óbitos até o dia 9 de abril, 153 são de pacientes com o vírus H1N1, que tem mais chances de causar complicações, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave. O medo e a falta de informação levaram muitos a clínicas privadas para se vacinar contra o vírus, mas especialistas alertam que não há motivo para pânico e que a gripe só é grave para grupos de risco.

 
Apesar da campanha nacional de vacinação — que, além de prevenir contra a gripe H1N1, protege contra outra influenza A (H3N2) e um tipo da B — começar no dia 30, algumas cidades adiantaram o calendário. No Rio, que na última segunda-feira registrava 14 mortes neste ano, a vacinação começa nesta segunda-feira para grupos prioritários: crianças de seis meses a menos de 5 anos, gestantes e doentes renais crônicos. No sábado, dia 30, o restante da população alvo — idosos a partir de 60 anos, mulheres até 45 dias após o parto, profissionais de saúde, doentes crônicos, detentos e funcionários do sistema prisional — também pode se vacinar.

 

Para quem não faz parte do grupo de risco, nem tem imunidade baixa, a gripe pelo vírus H1N1 pode ser confundida com uma gripe normal.
— É possível ter o vírus e não os sintomas — diz o infectologista da Faculdade de Medicina de Petrópolis Paulo César Guimarães: — Mas, mesmo sem a sintomatologia, a pessoa pode contaminar outras.

 

30 perguntas sobre o vírus H1N1

 

1- Quais são os sintomas da gripe H1N1? O que diverge da gripe “comum”?

 

Os sintomas costumam ser os mesmos – prostração, coriza, tosse, febre, dor de garganta, cansaço -, mas, na H1N1, o quadro pode ser mais intenso e abrupto – principalmente em pessoas com menor imunidade.

 

2- Como é feita a transmissão do vírus?

A contaminação acontece basicamente por via oral — tossindo, espirrando, falando, usando o mesmo copo de uma pessoa contaminada —, mas também pode acontecer através do olho, devido às mucosas: se a pessoa coçar o olho com a mão suja do vírus ou se alguém contaminado espirrar diretamente no olho.

 

3- Como é feito o diagnóstico?

Existe um exame, em que se recolhe a secreção nasal, chamado de PCR (sigla em inglês para o termo técnico de genética “reação em cadeia da polimerase”), capaz de detectar o vírus. O tratamento para a gripe, contudo, não precisa esperar o resultado, que pode ser demorado: ele já pode ser feito a partir do quadro clínico.

 

4- A gripe H1N1 oferece mais riscos de óbito do que a gripe comum? Por que?

Sim. Em temporadas de risco, nota-se que o vírus H1N1 está mais relacionados a casos de morte do que a outras gripes, já que tem mais chances de causar a Síndrome Respiratória Aguda Grave. A gripe espanhola, por exemplo, que também foi causada por um vírus H1N1, matou, mais de 30 milhões de pessoas em todo o mundo, em 1918.

 

5- Quais são grupos de risco?

Pessoas acima de 60 anos, crianças até cinco anos, grávidas, pessoas com baixa imunológica, detentos e funcionários de presídios, doentes crônicos, imunodeprimidos, indígenas.

 

6- O vírus da H1N1 é o mesmo que circulava em 2009, quando houve uma epidemia? Por que voltou agora com mais “força”?

Não é o mesmo vírus, pois eles sofrem mutações. De fato, a volta do vírus costuma ser cíclica: a Organização Mundial da Saúde (OMS) já tinha previsto que em 2016/2017 poderia haver uma nova epidemia do H1N1.

 

7- Há remédios para tratar a gripe H1N1?

Sim. O tratamento é feito com o remédio tamiflú, que não é vendido em farmácias, mas está disponível no Sistema Público para pessoas com indicações médicas. O Ministério da Saúde informou que, em 2016, enviou às secretarias de saúde dos estados, até o início de março, 891.400 unidades do medicamento.

 

8- A gripe dura quanto tempo?

Depende da pessoa que a contraiu: pode variar de uma a duas semanas, mas o normal é que no sétimo dia os sintomas já estejam desaparecendo.

 

9- O que uma pessoa com a gripe deve fazer?

Quem contraiu a gripe e não faz parte do grupo de risco deve fazer repouso, se hidratar bastante e se alimentar de forma saudável e em intervalos regulares.

 

10- Por quanto tempo uma pessoa pode transmitir o vírus H1N1?

Crianças já podem transmitir até uma semana antes de apresentarem os sintomas e até 10 dias depois do começo da sintomatologia. Já adultos podem transmitir até dois dias antes da sintomatologia e, no máximo, uma semana depois.

 

11- Por quanto tempo o vírus sobrevive fora do corpo?

Depende da superfície. Numa superfície de madeira, ele pode durar até 48 horas, já numa superfície de plástico,pode sobreviver até 24 horas. Nas mãos e maçanetas, por exemplo, o vírus pode permecer por cerca de 7 horas.

 

12- Pessoas saudáveis devem se preocupar e ir aos postos de saúde?

Não é preciso entrar em pânico: a H1N1 é grave para pessoas de risco. Pessoas jovens, com boa saúde e que não estão grávidas não precisam se preocupar e devem tratar a H1N1 como uma gripe qualquer. Essas pessoas devem evitar o pronto socorro, que é um foco de transmissão de doenças.

 

13- A obesidade agrava riscos da H1N1? Por que?

Pessoas que sofrem de obesidade podem ter consequências na saúde — como diabetes — que diminuem a imunidade e, logo, agravam os riscos da gripe.

 

14- Antigamente, a gripe H1N1 era chamada de “gripe suína”. Há alguma relação com os porcos? Quem comer carne de porco pode se infectar?

O vírus já foi detectado também em suínos e pessoas que lidavam com porcos se contaminaram. Mas quem comer carnes bem cozidas não tem risco de se infectar.

 

15 – Quantos casos de gripe H1N1 foram identificados no país? E quantas mortes?
Foram registrados 1.012 casos de gripe H1N1, sendo 153 óbitos, com registro de um caso importado (o vírus foi contraído em outro país), segundo o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, do dia 9 de abril.

 

16- Qual região concentra o maior número de casos?

A Região Sudeste, com 758 identificados de janeiro deste ano até 9 de abril, segundo o Ministério da Saúde.

 

17- Quando começa a campanha nacional?

A campanha em todo país começa no dia 30 de abril e vai até o dia 20 de maio, mas o Ministério da Saúde já enviou doses no dia 1º de abril para os estados e alguns decidiram adiantar as vacinações.

 

18- Qual é a diferença entre a vacina trivalente e a tetravalente?

A trivalente, oferecida no sistema público, protege contra dois vírus da Influenza A – inclusive o H1N1 – e um vírus da Influenza B. Já a tetravalente protege contra dois vírus da Influenza A e dois vírus da Influenza B – esse vírus “extra”, contudo, não é de grande risco.

 

19- Quem poderá tomar a vacina no dia 25, no município do Rio?

Crianças de seis meses a 5 anos incompletos (até 4 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes e doentes renais crônicos.
20- A partir do dia 30, data originalmente prevista para o início da campanha, quem poderá tomar a vacina?

 

Além dos grupos anteriores, idosos a partir de 60 anos, mulheres até 45 dias após o parto, profissionais de saúde, doentes crônicos, presos e funcionários do sistema prisional.

 

21- Onde esses grupos de risco podem encontrar a vacina, no município do Rio?
A vacina vai estar disponível em 250 unidades de atenção primária (clínicas da família e centros municipais de saúde) e policlínicas da cidade até o dia 20 de maio, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. No sábado 30 de abril, haverá uma mobilização contra a gripe, quando cerca de 450 de postos de vacinação volantes serão montados em locais da cidade, como igrejas, escolas, associações de moradores, entre outros, também das 8h às 17h.
22- Quantas pessoas devem estar vacinadas após a campanha?
A meta da Secretaria municipal de Saúde (SMS) é imunizar 80% dos grupos alvo recomendados, o que representa cerca de 1,2 milhão de pessoas.

 

23- A vacina é contraindicada para alguém?

Sim. Ela é contraindicada para pacientes com história de alergia grave (anafilaxia) e ou a algum de seus componentes. Alérgicos a ovo devem tomar a vacina com orientação médica, já que a vacina é feita dentro do ovo. Portadores de doenças neurológicas devem consultar seu médico antes de tomar o imunizante e pessoas com quadro febril precisam aguardar a melhora do estado de saúde.

 

24- Quem tomou a vacina no ano passado deve tomar novamente?
Sim, pois o vírus sofre mutações.

 

25- Só uma dose já basta para a imunização?

Sim. Apenas crianças que estão tomando a vacina pela primeira vez devem tomar duas doses, num intervalo de um mês entre elas.

 

26- Que tipo de comprovação deve ser levada no dia da vacinação, para a pessoa comprovar que faz parte do grupo de risco que deve ser imunizado?

Para idosos e crianças, basta a carteira de identidade. Já quem tem alguma doença ou complicação deve levar atestado ou receita médica.

 

27- Por que crianças recém-nascidas não podem tomar a vacina?
Porque elas ainda não tem o sistema imunológico totalmente desenvolvido e podem ter complicações.

 

28- A vacina protege 100% os vacinados ou ainda há riscos de contrair a gripe H1N1?
Nenhuma vacina existente no mundo é 100% eficaz, mas, segundo a SMS, estudos demonstram que a vacinação pode reduzir de 32% a 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% da mortalidade global, e em aproximadamente 50% as doenças relacionadas à influenza.

 

29- A vacina tem efeitos colaterais?

Algumas pessoas podem apresentar pequena febre e mal estar, mas nada grave. A vacina é feita com o vírus morto, portanto ninguém vai pegar a doença após se vacinar.

 

30- A vacina demora quanto tempo para proteger a pessoa?
No máximo, duas semanas.

Fontes: Paulo César Guimarães, infectologista e pediatra, diretor da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Fase); Rosana Richtmann, infectologista do Hospital e Maternidade Santa Joana; Ministério da Saúde; Secretaria municipal de Saúde; entrevista do Drauzio Varella no “Fantástico”, da TV Globo.

 

FONTE: Extraonline