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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 26/03/2016

Pesquisa liga comportamento agressivo a parasita no cérebro

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Cientistas americanos sugerem que a irritação crônica pode ser resultado de um parasita no cérebro. De acordo com um estudo da Universidade de Chicago, adultos que sofrem de transtorno explosivo intermitente (IED, em inglês) – uma condição psicológica marcada por surtos de raiva em resposta a situações triviais – são mais propensos a terem sido infectados com o protozoário Toxoplasma gondii.

 

 
“Situações sociais normalmente são os detonadores para os surtos. No trabalho, pode ser algum caso de frustração interpessoal, enquanto nas ruas pode ser levar uma ‘fechada’ de outro carro”, diz Royce Lee, um dos autores do estudo.

 

O Toxoplasma gondii é um protozoário comum, que se reproduz em gatos e se espalha em suas fezes, e causa a toxoplasmose. Ele pode entrar no organismo humano por uma série de razões, inclusive com o consumo de carnes cruas ou indevidamente cozidas, bem como legumes e verduras que não foram lavados.

 

Estima-se que, no Reino Unido, quase um terço dos adultos já foram infectados com o protozoário, que se aloja nos tecidos do cérebro. Em mulheres grávidas, a toxoplasmose está ligada a abortos espontâneos e defeitos congênitos, incluindo a microcefalia.

 

Adultos com problemas imunológicos correm risco de vida. A deonça frequentemente é assintomática, mas pesquisadores acreditam que seus efeitos são mais sérios do que se pensava – alguns estudos sugerem uma relação com a esquizofrenia e mesmo uma influência sobre o número de acidentes de trânsito. Pesquisas em ratos descobriram que roedores infectados podem simplesmente perder o medo de gatos.

 

O estudo da Universidade de Chicago, publicado no Journal of Clinical Psychiatry, descreve como 358 adultos participaram de um experimento para detectar se seus níveis de impulsividade e agressão estavam ligados a infecção com o parasita. Os participantes foram avaliados em uma série de aspectos, passando também pela ansiedade. Foram divididos em três grupos: um terço não tinha sinal algum de problemas psiquiátricos, um terço tinha IED, e o restante tinha alguma outra desordem psiquiátrica, como ansiedade ou depressão.

 

Os cientistas, então, analisaram amostras de sangue dos participantes em buscas de sinais de infecções passadas. Participantes que tiveram resultados positivos para exposição ao protozoário tiveram pontuação muito maior nas escalas de agressão. Descobriu-se ainda que participantes diagnosticados com IED tinham duas vezes mais chances de terem sido infectados com o parasita do que os que não apresentaram qualquer desordem: quase 22% dos diagnosticados com IED testaram positivo para o Toxoplasma gondii, comparados com 16,7% dos que tinham outras condições psiquiátricas e apenas 9% de indivíduos saudáveis.

 

Comentando os resultados do estudo americano, Richard Holliman, microbiologista do St George’s University Hospital, no Reino Unido, ressaltou que a existência de uma correlação entre a presença do protozoário e a IED não pode ser totalmente interpretada como uma consequência da toxoplasmose.

 

“A questão é se a toxoplasmose causa o comportamento ou se o comportamento causa faz com que o indivíduo fique mais vulnerável à toxoplasmose. É uma daquelas discussões sobre a galinha ou o ovo”, diz Holliman.

 

A equipe da Universidade de Chicago admite que ainda precisa estabelecer se a infecção com o Toxoplasma gondii causa os surtos de raiva. Mas eles sugerem ainda que a infecção pode afetar o cérebro em uma série de outras maneiras, incluindo uma espécie de ativação do sistema imunológico. O doutor Lee recomenda cautela na interpretação dos resultados do estudo. “Ainda é cedo para que os resultados influenciem ações. Não queremos que ninguém se livre de seus gatos”.

 
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