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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 28/04/2016

PIB informal em Feira estimado em quase R$ 2 bilhões

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O volume de dinheiro que circula na economia informal de Feira de Santana é 50% maior do que o orçamento da Prefeitura para este ano, fixado em mais de R$ 1,1 bilhão. Estima-se que a economia subterrânea, como este setor também é chamado (por ficar longe das garras do Leão da Receita Federal), movimente mais de 16% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Na última divulgação pelo IBGE, referente ao ano de 2013, a soma de tudo o que o município produziu naquele ano passou de R$ 10,8 bilhões.

 
Aplicado o mesmo percentual estimado no PIB nacional, a informalidade feirense estaria em R$ 1,7 bilhão. E a cidade, com longa tradição na informalidade – a sua grande feira-livre que o diga – tem vários setores que dão uma grande contribuição que oxigena este PIB paralelo, que em tempos de desemprego batendo na casa dos dois dígitos, gera milhares de postos igualmente informais.

 
Professor-doutor da UEFS, o economista René Becker estima que pelo perfil, a cidade tem participação alta da informalidade na formação do PIB, devido aos setores fortes e tradicionais da economia local, em que as transações comerciais não são tributadas. “Acredito que mesmo esta produção não sendo reportada ao governo, a informalidade não é prejudicial como um todo para a economia local porque grande parte destes recursos volta para o lado formal da nossa economia”, avalia. E o ciclo na economia se fecha. Ou seja: parte desta riqueza vai para os cofres federais.

 
O economista também salienta que o PIB subterrâneo aumenta ou diminui a depender da situação econômica do momento. “A presença da informalidade está relacionada aos ajustes que vem sendo feitos na economia, que geram desemprego. Aí essa massa migra para este setor”. Ele ressalta que nenhuma economia deixa de ter uma parte na informalidade, embora considere alto o índice apresentado no país.

 
A cidade tem setores onde circula grande quantidade de dinheiro e reina a informalidade nas transações, mesmo entre empresas formalmente registradas. Como no Feiraguai, onde nem mesmo os comerciantes arriscam opinar quanto de dinheiro é movimentado diariamente nas transações financeiras, mesmo em tempo de crise braba. Além das barracas, é grande a quantidade de lojas que abriram ao redor da praça Presidente Médici, onde há décadas funciona o entreposto comercial mais conhecido da cidade.

 
O comércio informal do Centro também pesa muito na formação deste PIB paralelo, com seus milhares de ambulantes. Mesmo que grande parte tenha CNPJ e muitos aceitem cartões de crédito nas transações, a regra não é emitir nota fiscal nas vendas. Muitos sequer têm a das compras que fazem dos produtos que revendem.

 
Há quatro anos Ailton dos Santos virou ambulante, depois de perder o emprego de carteira assinada. “Neste tempo vendi de um tudo”. Atualmente comercializa peças de encerado em um carrinho de mão. Oferece seu produto nas ruas centrais. “Pode ser que volte a ser empregado, mas não quero, não”. Disse que fatura mensalmente mais de um salário mínimo, não tem horário para trabalhar “nem chefe para encher a paciência”.

 
Estima-se que mais de 2,5 mil pessoas sobrevivam do que vendem no Centro de Abastecimento, outro local que dá grande contribuição para o PIB subterrâneo, onde o varejo é forte, mas o atacado mostra muques poderosos. É um local onde pequenos e grandes comerciantes convivem lado a lado, todos os dias da semana.

 
Tido como o maior entreposto de compra e venda de gado em pé de todo o Nordeste, no Campo do Gado as transações comerciais são volumosas, mesmo dependentes do bom humor do clima para que o preço da arroba e as compras e vendas atinjam altas cifras. De acordo com a direção do local, às segundas-feiras, quando as transações acontecem, a venda de animais passa de mil cabeças.

 
Com menor peso, mas participação ainda significativa, figuram as feiras-livres semanalmente realizadas em vários bairros, com destaque para a Estação Nova e Tomba (tem ainda feiras fortes o Sobradinho, Cidade Nova e George Américo). As vendas não tributadas são realizadas ainda no Centro de Compras da Cidade Nova e no MAP (Mercado de Arte Popular).

 
Nonato Góes, dono de um tabuleiro carregado de frutas coloridas, gosta da liberdade do mercado informal. Mas diz que um dia pretende voltar a assinar a carteira, guardada há mais de dois anos. “Aqui a gente não tem um salário certo. Ganha um dia e perde no outro. Quero a segurança e os direitos que o trabalho formal oferece”, explica.

 

 

TRIBUNA FEIRENSE