Destaques

Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 17/07/2017

Pregador Luo: “É estranho condenarmos ídolos de barro e adorarmos ao Homem”

“Arrependa-se!”. Apesar deste ser o título de uma música de mais de 20 anos atrás e a mensagem ser ainda mais ‘antiga’, Pregador Luo destacou que ela continua mais atual do que nunca e foi incluída justamente na abertura de seu novo álbum “RetransMISSÃO”.

 

O rapper participou da Expoevangélica 2017 e em entrevista exclusiva ao Guiame, afirmou que o termo “missão” não foi colocado em destaque no nome do álbum por acaso e afirmou que seu propósito continua ser o de pregar o Evangelho, incluindo a mensagem de arrependimento, que já tem sido esquecida em muitas canções ou pregações atuais.

“Eu me sinto no dever de continuar pregando o Evangelho. E o ‘RetransMISSÃO’, com esse enfoque na missão é porque essa é a minha missão: pregar como um rapper, não só como um agitador cultural, mas como um homem que vem compreendendo cada dia mais os desígnios de Deus”, explicou.

 

Falando sobre a volta da faixa “Arrependa-se”, 20 anos após sua primeira gravação, Luo contou que a compôs a música em uma fase um tanto “radical” de sua vida, mas também na qual já via a importância de alertar as pessoas sobre a importância do arrependimento no processo de salvação.

 

“As pessoas vivem fases diferentes das duas vidas. Quando eu compus o álbum ‘Arrependa-se’, eu me vi numa fase até ‘radical’, porque eu tinha acabado de me converter. O Evangelho para mim era uma coisa desesperadora, de falar: ‘Cara, eu estou lendo todas essas paradas e a humanidade vai morrer, vai para o inferno e como é que não se fala sobre essas coisas’. Diante dessa situação, diante da Bíblia, de um Deus tão bondoso, misericordioso, mas que também é Justiça; que é perdão, mas também é fogo que consome, como que as pessoas não falam sobre isso?”, destacou.

 

Luo lamentou o contexto atual que o cenário ‘gospel’ vive, no qual as pregações e músicas não falam mais sobre este tipo de mensagem que é essencial ao Evangelho.

 

“A música gospel e muitas pregações têm se tornado muito taxativas no sentido de talvez enfraquecer um pouco a mensagem do Evangelho, só com aquela coisa da cura, do milagre ou da busca por coisas que são muito mais terrenas do que parecidas com as coisas do Reino de Deus”, explicou.

 

O músico também condenou o ‘fanatismo gospel’ e destacou que isto expõe a hipocrisia de muitos evangélicos, que condenam os que adoram imagens e outros deuses, mas insistem em idolatrar artistas e pregadores.

 

“Será que não é muito estranho a gente dizer para as pessoas não idolatrarem ídolos de barro e chegar no nosso ambiente e idolatrarmos ídolos de carne e osso?”, questionou. “Tem alguma coisa que não está soando correta dentro desse Evangelho que está sendo propagado”.

 
Polarização e extremos

 

O rapper assumiu que expressar e levar uma mensagem equilibrada, que traduza o Evangelho em sua essência está cada vez mais difícil em um mundo tão polarizado e extremista, a tirar por exemplo pela de muitos usuários das redes sociais.

 

Quando questionado sobre o ponto em que a humanidade teria se perdido para chegar a este nível, o rapper lamentou especificamente a situação na qual o Brasil se encontra.

 

“A gente se perdeu quando a gente começou a querer fazer justiça com a próprias mãos, mas também quando a gente começou a ter todos os nossos direitos básicos que a gente conquistou através dos nossos impostos, a gente se perdeu na falta de crença, na falta de fé… estou falando da falta de crença no ser humano. A gente deixou de acreditar nos políticos, porque eles nos deram motivos para a gente deixar de acreditar neles. A gente deixou de ter uma educação fundamentada e embasada, porque os professores não recebem o suficiente e adequado para lecionar. A base da sociedade está corrompida”, disse.

 

FONTE: GUIAME