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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 25/03/2015

Religiosos pedem investigação de grupo criado pela Universal

unnamed (4)Religiosos de candomblé e umbanda protocolaram na segunda-feira, 23, na sede do Ministério Público Federal na Bahia (MPF-BA), na avenida Luiz Viana Filho (Paralela), uma carta aberta em que pedem ao órgão que investigue a criação do grupo Gladiadores do Altar pela Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd).

 

Escrito pelo babalorixá Sivanilton Encarnação da Mata, o babá Pecê, líder espiritual da Casa de Oxumaré, o documento foi entregue diretamente ao procurador- -chefe do MPF-BA, Pablo Coutinho Barreto.

 
Na carta, o sacerdote fala da preocupação e do medo dos religiosos de matrizes africanas diante da criação de um grupo com características militares pela igreja evangélica. Eles temem, segundo babá Pecê, que atos de intolerância religiosa sejam ainda mais recorrentes.

 

“Ficamos receosos porque fiéis dessa igreja vêm atacando nossa religião diretamente ao longo dos anos, sem disfarces, com invasão de terreiros e violência física”, explicou o babalorixá à equipe de A TARDE.

 

País afora

 

A Mobilização Nacional do Povo de Santo, como foi denominada a ação, aconteceu nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, reunindo autoridades religiosas e militantes do movimento negro. Segundo o coordenador do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Luiz Paulo Bastos, cerca de 1.500 pessoas compareceram aos atos, todos realizados nas sedes estaduais do MPF.

 

Em Salvador, também segundo a entidade organizadora, 200 pessoas participaram da manifestação. O chefe do órgão no estado, Pablo Barreto, afirmou à imprensa que um inquérito civil público será aberto para apurar o caso.

 

Segundo o procurador, por se tratar de uma matéria de caráter nacional, a Procuradoria Geral do Direito do Cidadão, que coordena a atuação do MPF na área de cidadania, deverá centralizar ou coordenar as investigações para que não hajam decisões contraditórias nos estados onde as representações foram feitas.

 

“Esperamos chegar a um resultado de conciliação dos interesses, garantindo a promoção do direito fundamental à liberdade religiosa”, disse Barreto.

 

Outros casos

 

O substituto da Procuradoria Regional do Direito do Cidadão, Edson Abdon, afirma que casos de intolerância religiosa já estão sendo investigados pelo órgão, como a expulsão de mães de santo de favelas cariocas por traficantes evangélicos.

 

“Há (nos Gladiadores do Altar) características de militarização, como disciplina e hierarquia, o que é extremamente perigoso, porque fanáticos podem praticar ataques a outras igrejas ou terreiros, como já vêm acontecendo”, defendeu o procurador regional.