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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 18/06/2016

Segundo empresas, passagem deveria estar em R$ 4,47

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18Os prejuízos com o baixo número de passageiros em Feira de Santana têm sido tão grandes que o valor da passagem teria que estar em R$ 4,47, só para cobrir o custo.
Foi o que disse um representante das empresas Rosa e São João, em reunião na Câmara municipal, convocada pela Comissão de Obras, Urbanismo, Infraestrutura Municipal e Meio Ambiente. A reunião foi convocada pela comissão em função das notícias de que os empresários, recém chegados à cidade, estão insatisfeitos e há risco à continuidade dos contratos.

 
De acordo com o supervisor técnico Claudinei Castanha, que falou em nome das duas empresas, o número de passageiros está longe do que foi anunciado no edital da concorrência vencida por Rosa e São João. Segundo ele, maio foi o melhor mês até agora, com 1.960.000 passageiros que pagam o valor integral. Mesmo assim ainda é mais de 20% inferior à previsão mensal apresentada na licitação, que era de 2.432.633 por mês, pagantes do valor integral.

 
“O custo total do sistema é de R$ 8.756.000. Dividindo por 1.960.000 passageiros, hoje o custo do passageiro seria de R$ 4,47”, declarou. Claudinei afirmou que as empresas estão com déficit superior a R$ 2 milhões por mês.

 
De acordo com as empresas a culpa é principalmente dos clandestinos que transportam pessoas em carros particulares. Eles estariam tirando até 1 milhão de passageiros do sistema mensalmente. “Esse é o número de passageiros que está sendo desviado para o sistema clandestino, que não paga imposto, não tem controle nem segurança, e esses poderiam deixar o sistema de transporte equilibrado”, comentou. Claudinei avaliou ainda que o combate ao clandestino não é difícil de fazer.

 
Mas não é só isso. Já no reajuste que levou a passagem para o valor de R$ 3,10, o preço deveria ter sido R$ 3,18, de acordo com o representante das empresas. Outro fator que interfere no resultado é que o edital previa, segundo ele, que parte dos ônibus operaria sem cobrador. As empresas chegaram a ensaiar este modelo, mas recuaram após pressão do sindicato.

 
O cálculo do valor da passagem apresentado na reunião de quarta-feira por Claudinei já leva em conta os recentes reajustes de salários dos rodoviários e de outros insumos, como pneus e diesel.

 
GOVERNO CONTESTA

 
Em defesa do governo, o secretário de Transportes e Trânsito, Pedro Boaventura, garantiu que nunca foram apreendidos tantos clandestinos e que a quantidade de passageiros no sistema é crescente. “A expectativa é chegar a 2,6 milhões no mês de junho”, calculou.

 
Para mostrar que há empenho na fiscalização ao transporte clandestino, Boaventura assegurou que são apreendidos em média 50 carros por mês, a despeito do risco que os fiscais correm. “Estão sendo ameaçados com armas de fogo. Essas pessoas, no meu entendimento, estão formando quadrilhas, são criminosos e ainda encontram respaldo daqui ou dali de pessoas que os confortam sob alegação de que são trabalhadores”, provocou.

 
Na própria Câmara não têm faltado defensores dos clandestinos, como os governistas Pablo Roberto e Wellington Andrade. O próprio líder do governo, Zé Carneiro, adotou uma postura dúbia quando Pablo levantou o debate, dizendo que a retenção dos carros na SMT era ilegal e eles deveriam ser liberados até mesmo sem o pagamento de multa.

 
Boaventura relacionou ainda o corte de 2.500 gratuidades como medida que vem sendo adotada pelo governo em cumprimento ao edital da licitação. E ressaltou que não contesta os números apresentados pelas empresas, mas entende que deveriam ser objeto de uma auditoria por técnicos especializados.

 
Quem contestou as empresas foi o líder governista, Zé Carneiro. “As empresas dizem que o serviço traz prejuízo, mas as antigas brigaram na Justiça para continuar na concessão. Essa choradeira não mudou em 35 anos”, afirmou. Sobre as promessas das atuais Rosa e São João, o vereador disse que a maioria ainda não foi cumprida.
A vereadora Gerusa Sampaio assinalou que a retirada de gratuidades é um erro a ser reparado. “A comunidade está sendo sacrificada porque as pessoas perderam essa gratuidade. A lei é de 2003, já tem 13 anos e precisa ser revista por nós vereadores. Temos que ver as pessoas que estão sofrendo, elas precisam e isso requer um tratamento, que não está tendo. Tiveram os direitos ceifados”, criticou.

 
Isaías de Diogo destacou a pequena quantidade de carros em algumas linhas e opinou que é por isso que as pessoas recorrem ao ligeirinho.

 
Participaram do evento também várias outras autoridades e lideranças da cidade. Pelo Ministério Público, compareceu o promotor Sávio Damasceno, que atua há alguns anos nesta área.

 
Também participaram da reunião Rodrigo Rosa e Felipe Marcondes, ambos diretores da empresa Rosa; Gerson Nastri, diretor da empresa São João; Carlos Daniel, advogado da ViaFeira; José de Souza, representante do Sintrafs; os vereadores Ronny, Justiniano França, Welligton Andrade e a comissão de Obras, Urbanismo, Infraestrutura Municipal e Meio Ambiente, que tem como membros Alberto Nery, Correia Zezito e David Neto.

 
Tribuna Feirense