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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 26/10/2017

Sobrinho de Benny Hinn diz que ministério do tio funciona como a máfia

Quando pastores tradicionais ou teólogos atacam a teologia da prosperidade, acusando seus principais nomes de espalharem um “falso evangelho”, geralmente há diferentes questões envolvidas, que fogem do aspecto pessoal.

 

Contudo, quando é alguém de dentro do movimento que faz revelações graves, há uma outra maneira de se entender o que acontece nos bastidores desses ministérios. Nos últimos meses, Costi Hinn, sobrinho de Benny Hinn, vem dando entrevistas sobre sua mudança de vida. Ele trabalhou anos com o tio, mas diz que conheceu o “verdadeiro evangelho” e por isso não pôde mais continuar pregando sobre a prosperidade.

 

Atualmente ele é pastor de uma igreja pequena no sul da Califórnia. Costi falou à rede HLN sobre como sua vida mudou e o preço que pagou por se levantar contra o tio famoso. Ao comentar sobre os ensinos de Benny Hinn, ele os classificou de “distorcidos”. Contudo, o mais grave foi a revelação que o ministério da família Hinn, do qual seu próprio pai faz parte, é como a “máfia”.

 

“É uma comunidade restrita, onde ninguém deve fazer críticas”, esclareceu ele em entrevista ao programa “Across America”. Costi lembra que quando começou a falar publicamente sobre sua mudança de vida e por que abandonou o ministério de Benny Hinn, ele recebeu um telefonema de um familiar exigindo que ele não mencionasse mais a família na mídia.

 

O pastor Costi explicou ainda que durante anos viveu um estilo de vida luxuoso, que incluía andar somente em jatinhos privados e ficar em suítes luxuosas nos melhores hotéis do mundo durante as cruzadas pelo mundo. Contudo, ao ler a Bíblia ele não via nada disso na mensagem de Jesus, que não era um homem rico.

 

“Se você ler a Bíblia e levar a sério o que Jesus ensinou, verá algumas das promessas sobre o céu, as riquezas do céu e as maravilhosas glórias do céu, mas você não pode dizer que todas essas coisas são para agora… Este não é o coração do cristianismo, pois o evangelho diz que se você tiver riqueza, deve ser generoso e rico em boas obras”, explica.

 

O pastor também não vê a pobreza como uma maldição, como dizem os pregadores que seguem a linha do seu tio. “O centro da pregação da prosperidade é uma receita pronta, que se você fizer certas coisas, se tornará rico e é isso o que Deus quer. Essa abordagem do cristianismo não funciona com as pessoas pobres em nações empobrecidas, mas estão enriquecendo os pregadores da prosperidade, pois quem doa tem a esperança de que receberá bênçãos materiais”, destaca.

 

Deus não é um “gênio da lâmpada”

 

Para Costi, basicamente esses pregadores transformaram Deus em uma espécie de ‘gênio da lâmpada’, que lhe obedece quando você faz “a coisa certa”. Contudo, quando não dá certo para muita gente, isso gera tristeza e dor, acredita. “Pastores de verdade e igrejas de verdade têm que se levantar e dizer ‘Esse não é o cristianismo, não é isso o que a Bíblia ensina’”, pediu.

 

Questionado sobre como se sente ao olhar para trás, Costi Hinn disse que lhe dá “nojo” lembrar de como vivia e o que pregava. Porém ele ressalta que o poder do Evangelho tornou-se real para ele e por isso não tem medo de denunciar o erro. “Eu era ganancioso… Nós estávamos ensinando coisas erradas, estávamos nos aproveitando [das pessoas], explorando os pobres, usando nossa ganância, tirando até o último dólar possível… e usávamos o nome de Jesus para fazer isso”, lamenta.

 

Contudo, hoje ele só tem uma coisa a dizer: “Jesus morreu para perdoar os pecados. Ele me ama, apesar de toda a minha bagunça interior e toda a minha ganância… por isso vou passar os anos que ainda tenho mostrando às pessoas o que realmente é a graça de Deus”.

 

Finalizou dizendo esperar que seu tio entenda seus próprios erros.

 

GOSPEL PRIME