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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 27/09/2017

Substância tóxica da carambola pode causar insuficiência renal, diz USP

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (SP) descobriram uma substância existente na carambola que pode causar intoxicação e danos à saúde, principalmente em pessoas com problemas nos rins. De acordo com o estudo, a caramboxina pode provocar crise de soluço, epilepsia, convulsões e até levar à morte.

 
O nefrologista Miguel Moysés perdeu um paciente na década de 1990 que morreu depois de sofrer várias convulsões e ficar em coma. Foi quando o médico decidiu estudar a relação entre o consumo da carambola e a intoxicação de pacientes com insuficiência renal. “O paciente não tinha nada, fazia hemodiálise, comeu duas carambolas e começou a passar mal. Na mesma semana surgiu outro caso similar com um paciente em coma, que também havia ingerido grande quantidade de suco de carambola”, explica o médico.

 
A pesquisa já se estende por mais dez anos com o envolvimento de 19 profissionais, entre biólogos, químicos e médicos que fizeram teste em ratos de laboratório para comprovar os efeitos da fruta nos pacientes com problemas nos rins. “Esses animais, quando recebiam a carambola, entravam em um estado epilético, uma convulsão prolongada, e faleciam por conta da convulsão. E foi possível estabelecer os mesmos sintomas nos humanos”, conta o nefrologista Márcio Dantas.

 
No decorrer dos estudos, os pesquisadores conseguiram isolar e identificar a molécula da fruta que causa a intoxicação. Nomeada de caramboxina pelos pesquisadores, a substância existe em baixa concentração na fruta, mas é tóxica. Em pessoas saudáveis, ela é facilmente eliminada pelo organismo. Mas em pacientes com problemas renais ela se concentra no organismo e causa sintomas como soluços constantes por várias horas, confusão mental, convulsão e sem tratamento adequado, pode levar à morte.

 

“A molécula que caracterizamos é bastante instável, porque é derivada de um aminoácido natural e o organismo a confunde. A alta solubilidade em água deveria fazê-la ir embora pela filtração renal, mas, se o paciente não filtra, essa molécula fica na circulação. Em seguida, mascarada, ela penetra, chega ao sistema nervoso central e pode causar vários danos”, explica o farmacêutico Norberto Lopes, que participou da pesquisa da molécula.
Segundo os pesquisadores, pessoas sem problemas nos rins, se comerem ou tomarem o suco da carambola em grandes quantidades, podem desenvolver problemas neurológicos e insuficiência renal aguda. “O ideal é comer sem exageros”, alerta Dantas.

 

G1