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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 07/04/2016

Última Ceia tinha feijão e carne de cordeiro, diz pesquisa

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Uma pesquisa recente sobre a culinária palestina na época de Jesus afirma que além do pão sem fermento e do vinho, a Última Ceia também serviu guisado de feijão, carne de cordeiro, azeitonas, ervas amargas, um molho de peixe e tâmaras.
O estudo foi feito por dois arqueólogos italianos que utilizaram os versículos da Bíblia sobre esse momento, escritos judaicos, antigas obras romanas e dados arqueológicos.

 
Generoso Urciuoli, arqueólogo no centro Petrie, na Itália, e Marta Berogno, arqueóloga e egiptóloga no museu egípcio de Turim, também da Itália, são os responsáveis por essa pesquisa que será publicada em um livro no próximo mês com o nome de “Gerusalemme: L’Ultima Cena” (Jerusalém: a Última Ceia).

 
O material recolhido por eles foi suficiente para que os arqueólogos encontrassem informações sobre os hábitos alimentares em Jerusalém no início do 1º século d.C. Inclusive, eles descobriram que a Última Ceia não foi servida em mesa retangular, como é mostrado em muitas pinturas de arte religiosas, mas com Jesus e seus apóstolos sentados em almofadas no chão, da mesma forma como os romanos se comportavam naquela época.

 
“Naquele tempo na Palestina, a comida era colocada em mesas baixas e os convidados comiam em almofadas no chão e tapetes reclinados”, afirma Urciuoli.
Ainda segundo o arqueólogo, “os judeus que observavam as regras de pureza utilizavam vasos de pedra, porque eles não eram suscetíveis à transmissão de impurezas” ou ainda utilizavam como pratos, tigelas e jarros de cerâmica, que era uma tendência internacional naquela época.A posição que Jesus e seus apóstolos se sentaram também seguia uma regra precisa onde os convidados mais importantes se sentavam à direita ou à esquerda do convidado principal.

 
“Versos dos evangelhos de João indicam que Judas estava muito perto de Jesus, provavelmente, à sua esquerda imediata. De fato, somos informados de que Judas mergulhou o pão no prato de Jesus, seguindo a prática de compartilhar alimento de uma bacia comum”, diz Urciuoli.

 
Eles também utilizaram a pesquisa para encontrar os alimentos servidos no jantar de Páscoa que foi o último dia de Jesus com seus discípulos.

 
Para encontrar o menu do jantar, eles usaram passagens bíblicas como a Festa dos Tabernáculos, as bodas de Caná (onde Jesus transformou água em vinho), e o banquete de Herodes (quando a cabeça de João Batista foi pedida).

 
“O casamento em Caná nos permitiu compreender as leis dietéticas religiosas judaicas, conhecidas como kashrut, que estabelecem quais alimentos podem e não podem ser comidos e como eles devem ser preparados. Por outro lado, o Banquete de Herodes nos permitiu analisar influências culinárias romanas em Jerusalém”, explicou o arqueólogo.
Por isso, os estudos revelam que além do pão sem fermento e do vinho, foi servido: tzir, uma variante do garum, molho de peixe romano; carne de cordeiro; cholent, um prato de guisado de feijão cozido em fogo muito baixo e lento; azeitonas com hissopo, uma erva com um sabor de hortelã; ervas amargas com pistaches e charosset de tâmaras; além de pasta de nozes.

 
“Ervas amargas e charoset são típicos da Páscoa, o cholent é comido durante as festividades, enquanto o hissopo também era consumido em uma base diária”, aponta o estudioso.

 

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