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Portal Cidade Gospel | Redação | Publicado em 12/05/2016

Usuários desconhecem a integração fora dos terminais de ônibus

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Quem utiliza o cartão Via Feira nos ônibus pode desembarcar de um e tomar outro em qualquer ponto, sem pagar nova passagem, até uma hora depois de ter passado na roleta pela primeira vez. Não é preciso ir aos chamados terminais de transbordo. Este benefício é a “integração temporal” e está funcionando desde o início da confecção do cartão, em fevereiro.

 

No entanto, ainda é grande o desconhecimento por parte dos usuários do cartão Via Feira. A Tribuna Feirense entrevistou 20 pessoas, no Terminal Central e em pontos de ônibus nas ruas. A amostragem deu empate: dez conheciam a integração temporal. As outras dez desconheciam. E entre as que disseram conhecer, havia dúvidas sobre as regras.

 

“Não conhecia não”, confessa Marlúcia Batista, que é funcionária pública. A cuidadora Patrícia Amorim já sabe, mas quase por acaso. Descobriu quando ao passar na roleta notou que sua passagem não tinha sido debitada: “Fiquei conhecendo depois que eu usei”, observa.

 

A integração em qualquer ponto pode ser muito útil também para a economia de tempo. Por exemplo, alguém que pega um coletivo que passa na João Durval e deseja ir para o final da Getúlio Vargas ou Nóide Cerqueira, não tem que ir até o Transbordo Central, que é a direção oposta, só para pegar uma linha que atravesse toda a avenida, fazenda na volta parte do percurso que a pessoa já tinha feito na ida para o transbordo. Essa era uma das grandes incoerências do SIT (Sistema Integrado de Transportes). Agora, o passageiro pode descer perto do cruzamento da João Durval com a Getúlio e de lá pegar outro ônibus na direção do bairro SIM.

 

Cristiane Araújo conhece e aproveita a integração. Vem da Gabriela, desce no Nordestino e pega um ônibus para o Terminal Central. De lá, pega outro transporte para a casa onde trabalha como diarista. Com isso gasta uma só passagem. “Já adianta bastante”, comemora.

 

O secretário municipal de Transporte e Trânsito, Pedro Boaventura, minimiza o problema do desconhecimento. “A gente acredita que um ou outro desconheça. A maioria esmagadora, eu posso lhe dizer que tem conhecimento. Agora tem exceções realmente e a gente tem que também se preocupar com essas pessoas que ainda estão desinformadas”, admite.

 

Segundo o secretário, as empresas já fizeram esclarecimento via rádio, via jornal, e a prefeitura também, em inúmeras entrevistas. Ele reconhece que talvez seja preciso uma campanha publicitária. “Todas as possibilidades nós estaremos estudando. O que for possível para que a população fique totalmente esclarecida, a prefeitura não mede esforços”, afirma Pedro Boaventura.

 

Rodolfo Ferreira Júnior, diretor de transportes públicos da Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), assegura que foi veiculado por mais de 30 dias na TV como utilizar a integração social, além da divulgação acontecer também na internet.

 

Curioso é que a reportagem encontrou num ponto de ônibus um funcionário da SMTT, que contou que paga a passagem com dinheiro (e com isso está impossibilitado de usar a integração, porque só pode ser feita com o cartão), pois a própria secretaria ainda não agilizou a confecção do Via Feira para os funcionários.

 

SEM CARTÃO

 

Mesmo procurando diretamente no transbordo e em pontos de ônibus, a Tribuna Feirense teve alguma dificuldade de encontrar pessoas que tenham o cartão Via Feira. Os entrevistados apresentaram motivos diversos: por achar que a fila para fazer é grande, por falta de tempo, por desconhecimento da utilidade, por pegar pouco ônibus e até por preferir o “ligeirinho”, transporte clandestino, que não aceita o cartão.

 

Segundo o secretário Boaventura já foram confeccionados cartões para 25 mil usuários individuais. Os números se completam com cerca de mil empresas, que fizeram cartões para 20 mil funcionários e com os 27 mil cartões estudantis de meia passagem emitidos até o momento.

 

Além da integração temporal, outro benefício previsto para quem faz o Via Feira é fugir da passagem mais cara. Quem coloca créditos no cartão – o que implica na desvantagem de ter que pagar adiantado – paga R$ 3,10 pela passagem. A recarga mínima é de duas passagens, ou seja, R$ 6,20.

 

Pagando em dinheiro na hora de passar na roleta, o preço previsto é de R$ 3,30. Este valor diferenciado entraria em vigor em 10 de março. Foi adiado para 11 de abril e agora, a previsão é que comece a vigorar em 10 de maio.

 

Integração não vale para retornar

 
O diretor da secretaria de Transportes, Rodolfo Ferreira, esclarece que só é possível usufruir do benefício em trajetos complementares, não em uma viagem de ida e volta. Por exemplo, um usuário pode vir da Uefs, descer no Centro e seguir para a Santa Mônica pegando outro ônibus sem pagar esta segunda passagem. Se do Centro ele quiser voltar para a universidade, paga duas, porque o sistema identifica que é uma viagem de retorno.

 

O Via Feira é transferível. Havendo crédito, pode ser utilizado por qualquer pessoa. Diferente dos cartões intransferíveis de meia passagem dos estudantes e de quem por lei tem direito a gratuidade. Estes têm controle através de biometria facial, que identifica o beneficiado, para que ele não o empreste a ninguém.

 

TRIBUNA FEIRENSE