Cerca de 40% das mulheres vítimas de violência doméstica são cristãs, diz pesquisa

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp

01Uma pesquisa realizada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie apontou um dado curioso e alarmante: 40% dos relatos de mulheres que sofreram violência doméstica foram de cristãs. O número de evangélicas que declararam ser agredidas é bastante expressivo. Tais relatos podem ser coletados em ONGs que ajudam mulheres agredidas, atuando na Defesa das vitimas de violência doméstica.

 

Segundo a pesquisa, o dado é uma surpresa para a entidade. “Não esperávamos encontrar, no nosso campo de pesquisa, quase 40% das atendidas declarando-se evangélicas”, diz um trecho.

 

Para piorar, muitas delas se sentem coagidas a não denunciarem seus maridos ou a comentarem o caso com seus líderes espirituais. A pesquisa continua: “A violência do agressor é combatida pelo ‘poder’ da oração. As ‘fraquezas’ de seus maridos são entendidas como ‘investidas do demônio’ então a denúncia de seus companheiros agressores as leva a sentir culpa por, no seu modo de entender, estarem traindo seu pastor, sua igreja e o próprio Deus”.

 

Os relatórios ainda ressaltam: “Logo o que era um dever, o da denúncia para fazer uso de seu direito de não sofrer violência, passa a ser entendido como uma fraqueza, ou falta de fé na provisão e promessa divina de conversão-transformação de seu cônjuge”, conclui.

 

Omissão dos pastores

 

O assunto chamou atenção do programa “De Tudo Um Pouco” da emissora cristã Rede Super. Para um debate foi convidado o pastor Renato Vieira Matildes e o advogado Antônio Cintra Schmidt.

 

Para Renato, a omissão dos líderes espirituais influencia no que tange a violência doméstica. “A gente percebe a omissão pela falta de orientação e pela omissão mesmo de não querer informar. Porque é mais fácil virar e dizer: ‘Olha, vá embora que nós vamos orar e Deus vai fazer a obra’”, disse.

 

“E Deus realmente continua fazendo a sua obra. Porém é mais difícil a gente instruir essas pessoas. É difícil você sentar com um casal e sentar com eles uma noite, um dia. Essas são questões difíceis de lidar e as pessoas não querem fazer isso e caminham para o lado mais fácil. Dizem logo: ‘Vá embora que nos vamos orar a Deus vai fazer a obra’. Isso não pode ser assim e não deve ser assim”, disse o pastor.

 

Apoio da igreja

 

Já o advogado Antônio Cintra pontuou que a igreja pode ter condições de ajudar a mulher que se encontra nesta situação. “Seria muito interessante se as igrejas tivessem esse acompanhamento e esse grupo para ajudar na conscientização da mulher”, comentou.

 

“A mulher tem um receio tremendo por todos esses fatos, de fazer uma denúncia, de expor a convivência familiar dela e em qualquer nível. Acontece que às vezes não é ela quem expõe. O vizinho, por exemplo, vê uma agressão e pode fazer a denúncia. E feita a denúncia, a policia vem e dali pra frente não tem mais como parar o processo”, pontuou.

 

GUIAME

OUTRAS NOTÍCIAS