Cresce número de casais que preferem ter animais de estimação a ter filhos

Foto: FreePik

Nos últimos anos, tem crescido o número de casais que optam por ter animais de estimação em vez de filhos. É o que revela a pesquisa Radar Pet, realizada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan). Segundo o levantamento, 21% das casas com cachorros são de casais sem filhos. Esse percentual sobe para 25%, quando se trata de residências com gatos.

Esse movimento, conhecido como pet parenting ou parentalidade de animais de estimação, reflete uma mudança nos padrões de vida e nas prioridades dos casais. “Esse é um fenômeno relativamente recente”, pondera o pastor e psicólogo Valdir Regina, que é teólogo da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

Segundo ele, “o fato de marido e mulher terem de trabalhar para a subsistência da família, a partir do pós II Guerra Mundial e, sobretudo, na virada do milênio, levou a sociedade a rever conceitos”.

O pastor destaca que até o século XIX e o início do século XX, a família, basicamente rural, necessitava de muitos filhos para ter maior mão de obra disponível para o trabalho. Com o êxodo rural, essa realidade mudou. “Outra mudança importante foi a inserção de mão de obra qualificada feminina no mercado de trabalho, resultando na diminuição da quantidade de filhos”, citou.

Valdir Regina destaca que, a partir de então, começaram a surgir muitos casais que não abrem mais mão de um bom nível de conforto, sem contar o comodismo de não terem de arcar com todas as obrigações de um processo de educação dos filhos, que é percebido como uma missão para vida toda.

“Há, entretanto, um vazio existencial. Marido e mulher trabalham fora, em lugares e horários diferentes, e a carência de afeto os leva a buscar um substitutivo. É aí que entra, fortemente, a figura dos pets”.

Atualmente, conforme ele observa, há uma tendência de casais que adotam animais e passam a chamá-los de filhos. Pela concepção bíblica, no entanto, filho é um ser gerado por um casal de humanos.

“Particularmente, não aprecio que pets sejam chamados de filhos. Animais são crias de animais. Também não saio, entretanto, julgando e condenando quem o faz. Se um cristão criticar essa decisão tomada por ‘pais de pets’, dificilmente será ouvido, quando tentar semear o Evangelho”, disse.

Modelo familiar

Para Wlaumir Souza, sociólogo e psicanalista, o fenômeno pet parenting está se tornando cada vez mais comum. Isso ocorre, segundo ele, devido às condições financeiras e ao encarecimento de ter um filho, além de uma mudança no modelo familiar.

“Nós estamos saindo do modelo da família nuclear familiar para a família pet familiar. Isso significa maior isolamento humano diante da incapacidade de comunicação e diálogo”, disse Souza, em entrevista ao Jornal da USP.

Dentro desse contexto, ele detalha que os animais não respondem, não questionam e são fiéis aos donos e, portanto, são mais fáceis no convívio. “Para ser exato, o tutor do pet não quer uma pessoa independente, com opiniões únicas e pensamento crítico, ele quer alguém que não o questione”, conclui Wlaumir.

Por Patricia Scott Revista Comunhão

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