Edir Macedo perde controle da Igreja Universal em Angola

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Líder da Igreja Universal do Reino de Deus no Brasil e no exterior, o bispo Edir Macedo vem perdendo força no comando da igreja.

Reportagem do Intercept Brasil revela que o Macedo perdeu o controle da organização religiosa na Angola, na África. O governo angolano emitiu ofício (veja no final da matéria) a respeito do assunto um dia antes do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos) ser preso.

Segundo a apuração, o bispo angolano Valente Bezerra Luís foi oficializado como novo responsável pela Universal naquele país. A decisão foi tomada no dia 17 de dezembro, após o governo angolano reconhecer a decisão de uma assembleia da Universal realizada em 24 de junho, quando os bispos locais anunciaram o rompimento com a matriz brasileira e elegeram Bezerra como novo líder.

A ata da assembleia chegou a ser publicada no diário oficial de Angola em julho, mas o resultado da votação foi contestado pela cúpula da Universal por supostas irregularidades.

Agora, em meio a um clima de guerra civil entre os religiosos, Angola impôs uma dura derrota a Edir Macedo. No documento, o Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos do Ministério da Cultura de Angola afirma que a Universal é reconhecida pelo estado angolano e confere poderes a Valente Luís. Com isso, o movimento autointitulado Reforma assumiu, enfim, o controle da igreja no país.

Para “efeitos de legalidade da liderança dessa confissão religiosa”, o Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos de Angola informa ser “suficiente” a ata da assembleia da Universal publicada no Diário da República, o Diário Oficial angolano, no último dia 26 de novembro. O documento é assinado pelo diretor do órgão, Francisco de Castro Maria.

Em 2019, quase 300 bispos angolanos da IURD se afastaram da liderança brasileira, denunciando práticas contrárias à “realidade de Angola e da África” e acusando a igreja de sonegação fiscal.

O processo contra a IURD foi aberto em dezembro, com denúncias de bispos angolanos da própria igreja alegando que ela tinha práticas contrárias à “realidade de Angola e da África” e a acusando de sonegação fiscal.

A tensão aumentou em junho, quando um grupo de ex-membros da IURD assumiu o comando de mais de 80 templos na capital Luanda e nas províncias próximas.

No início do mês de agosto, o Diário da República de Angola, órgão oficial do país africano, comunicou formalmente o resultado de uma assembleia da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), no dia 24 de junho, que determinou a dissolução de sua diretoria e a destituição do bispo brasileiro Honorilton Gonçalves de sua cúpula.

A Assembleia Nacional de Angola (órgão legislativo máximo do país) indicou nova equipe de gerência e uma “Comissão de Reforma” da Igreja Universal, com o bispo angolano Valente Bezerra Luís como seu coordenador.

A Igreja Universal de Angola se manifestou após a Procuradoria Geral da República (PGR) daquele país fechar e confiscar alguns templos comandados por Edir Macedo.

Segundo o líder religioso e dono da Record, a PGR de Angola estaria tramando e mentindo como forma de manipular a mídia e a população local.

O presidente Jair Bolsonaro tentou interceder em favor da igreja de Edir Macedo, seu aliado político. Em julho, enviou uma carta ao seu colega de Angola, João Lourenço, manifestando preocupação e pedindo proteção aos brasileiros.

Fundada pelo bispo evangélico Edir Macedo em 1977, a igreja já foi alvo de polêmica por sua suposta participação em atividades ilícitas em outros países, incluindo denúncias de redes de adoção ilegal em Portugal e outros países de língua portuguesa.

Fonte: The Intercept Brasil e MidiaMax

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