Versículo do dia
Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um.

Eleições 2020: candidatos em SP se aproximam de líderes religiosos por voto evangélico

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp

Apontado como um dos fatores que impulsionaram a eleição de Jair Bolsonaro (sem partido), o apoio do eleitorado evangélico é um dos principais alvos de disputa entre os candidatos a prefeito de São Paulo.

A briga por esse público, que costuma representar cerca de 30% dos eleitores, envolverá doses de visitas a igrejas, ajuda de vereadores e encontro com líderes religiosos.

No posto de candidato do presidente, o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) é quem mais é associado aos religiosos. Embora seja católico, sua legenda é ligada à Igreja Universal.

Pesquisa Datafolha realizada na semana passada que colocou Russomanno (29%) à frente de Bruno Covas (20%) mostrou o deputado com forte liderança entre os evangélico, com 37% das preferências, 18 pontos percentuais à frente do prefeito tucano Bruno Covas, que marcou 19%.

Covas, porém, pretende virar o jogo no decorrer da campanha. O principal instrumento para isso é a bancada de vereadores evangélicos na Câmara Municipal de São Paulo.

Dos 11 evangélicos da Câmara Municipal (que tem 55 vereadores), 8 fazem parte da bancada de apoio ao atual prefeito –excluindo o vereador e candidato a vice, Ricardo Nunes (MDB), também religioso, mas católico.

O principal aliado de Covas na Câmara é o presidente do Legislativo paulistano, Eduardo Tuma (PSDB), evangélico e frequentador da igreja Bola de Neve. Para ele, Covas tem forte atuação relacionada aos evangélicos da cidade.

“O Bruno Covas tem a maior base de vereadores evangélicos que algum prefeito já teve. Com a maior base propondo projetos e ele sancionando isso mostra que ele tem um diálogo muito próximo com o público evangélico”, diz.

Tuma afirmou que os vereadores irão às igrejas prestar contas sobre a atuação do governo, sempre seguindo os limites da lei. Além disso, o prefeito também deverá comparecer a reuniões e encontros com líderes evangélicos.

“No protestantismo tem ramificação clara. O Russomanno tem ligação, em virtude do partido, com a Igreja Universal, uma denominação. O Bruno não tem ligação com a Universal, mas tem com as outras denominações”, acrescenta o presidente da Câmara.

A bancada tucana na Câmara tem ao menos cinco vereadores evangélicos. Há desde neopentecostais, como João Jorge e Rute Costa, de ramificações da Assembleia de Deus, a denominações mais antigas, como a Metodista, da vereadora Patrícia Bezerra.
Durante o tratamento de câncer, Covas também teve contato com religiosos de diversas matizes. No ano passado, esteve na Marcha para Jesus e, num evento com a presença de Bolsonaro, ganhou vaia de parte do público.

Embora menor, o partido de Russomanno tem quatro vereadores na Câmara, sendo três deles parte da bancada evangélica da Casa. Todos são ligados à Igreja Universal.

A Universal conta com grande poder de comunicação, mas não está entre as denominações com mais templos na cidade. Segundo levantamento feito pela Folha de S.Paulo no ano passado, depois da Igreja Católica, as variações da Assembleia de Deus têm mais templos na cidade (499).

Na campanha de Russomanno, a relação com este público, com aparições em igrejas e contatos com líderes religiosos é tida como natural.

A equipe do candidato acredita que, devido à associação com Bolsonaro, os eleitores conservadores em geral, incluindo evangélicos, se sentirão representados pela candidatura do republicano.

Apesar da ligação com os evangélicos, Russomanno não costuma abordar o tema religioso em suas campanhas. Em 2016, quando disputou e perdeu a eleição para prefeito pela segunda vez, o deputado chegou a se irritar ao ser questionado sobre a sua ligação com a Igreja Universal.

Outro candidato que briga pelo eleitorado evangélico, e também pelo bolsonarista, é Andrea Matarazzo (PSD). O candidato do partido de Gilberto Kassab concorrerá com uma chapa puro-sangue, que conta com a deputada estadual Marta Costa como vice. Evangélica, ela é frequentadora da Assembleia de Deus.

“Eu sou muito conservadora por conta da minha criação e da minha fé. E o Andrea, a gente tem muita coisa em comum, em relação a isso, em favor da vida, da família. O importante é ele ser cristão. Não há choque, porque as pessoas que creem em Deus têm mais ou menos uma visão parecida”, diz.

A deputada afirma que a identificação dos evangélicos com os candidatos se dá mais por valores em comum do que pela religião em si.

“O povo evangélico não vive numa bolha, a nossa vida é normal como qualquer um outro. São pessoas que tem necessidades de qualquer outra família, e acreditando naquilo que a gente também acredita, na família tradicional. Somos contra o aborto, isso é muito importante para nós”, diz a candidata.

Embora seja contrária à descriminalização do aborto, ela fez questão de ressaltar respeitar a lei que regula a prática –que vem sendo atacada por alguns grupos religiosos.

A esquerda costuma ter muita rejeição entre os religiosos, principalmente aqueles de denominações neopentecostais. Apesar disso, essa esfera ideológica também faz movimentos para atrair os eleitores evangélicos.

Candidato mais bem posicionado nesta esfera, Guilherme Boulos (PSOL) fará no dia 3 de outubro um encontro com mais de 50 lideranças religiosas. “É preconceito achar que todo evangélico pensa como o Silas Malafaia, cuja visão fundamentalista é minoritária”, diz Josué Rocha, coordenador da campanha.

A equipe do candidato diz que há um histórico de relações com evangélicos dentro do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), do qual Boulos faz parte. Segundo a campanha, eles são “parcela significativa do movimento”.

Apesar de o PT ter ligação em sua origem com as comunidades de base da Igreja Católica, os governos do petistas tiveram alianças com religiosos tanto nas passagens pela Presidência quanto na Prefeitura de São Paulo, com Fernando Haddad (PT).

No entanto, depois do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, os laços do partido com os líderes ligados às religiões foram desfeitos. O PT passou a ser alvo de críticas de pastores Brasil afora.

O candidato petista à prefeitura, Jilmar Tatto, participou de encontro com religiosos, no qual exaltou o trabalho social das igrejas, mas criticou o uso partidário da religião.

Fonte: Folha de S. Paulo via O Tempo

OUTRAS NOTÍCIAS