Em audiência, delegada diz que filhos de Flordelis estavam ‘descontentes’ com poder assumido por Anderson

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp

O julgamento de dois filhos da ex-deputada federal Flordelis, de um PM e sua esposa suspeitos de participação no assassinato do pastor Anderson do Carmo começou por volta das 11h15 desta terça-feira (12).

O julgamento de André Luiz de Oliveira, filho de Flordelis, que estava previsto para esta terça, foi adiado pois o advogado passou mal.

Devido ao grande número de réus, a sessão precisou ser desmembrada e Flordelis só será julgada no dia 9 de maio.

A primeira testemunha ouvida foi a delegada Bárbara Lomba, que foi titular da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) e iniciou as investigações da morte de Anderson do Carmo.

Ela lembrou dos primeiros dias da investigação, focando nas figuras dos dois já condenados pelo crime: Flávio dos Santos Rodrigues e Lucas Cézar dos Santos de Souza, condenados em novembro de 2021 (veja mais detalhes abaixo).

Por volta das 15h15, começou o depoimento da segunda testemunha. O delegado Allan Duarte, que também esteve à frente da DHNSGI, deu continuidade às investigações e indiciou Flordelis como mandante do crime.

Disputa por poder
A delegada Bárbara Lomba afirmou que um dos principais motivos do descontentamento de Flordelis e outros filhos com o pastor Anderson era o enorme poder adquirido por ele, que cresceu após a pastora ser eleita deputada federal em 2018.

“Embora não tenha assumido nenhuma função formal, ele era praticamente o deputado. Ele fazia a articulação política dentro do parlamento, para eleições municipais. Ele tinha objetivos: conseguir tantas prefeituras, quantos municípios. Havia mensagens dizendo: ‘Você tem que olhar para tal pessoa, sentar do lado dele’. Ele direcionava as atitudes dela”, contou Bárbara Lomba.

Ela detalhou a questão.

“O grupo que ficou descontente com o que o Anderson estava representando queria deixar claro que tudo foi construído com a imagem da Flordelis. No meio político, havia pessoas que tratavam com ele, não com ela. Há uma decisão que a ação de Anderson precisava ser interrompida, e não podia ser pela separação”, disse a delegada

Lucas foi o primeiro levado para a delegacia, segundo ela. Depois disso, ele revelou a participação de Flávio, ainda no dia do crime, 16 de junho. No dia do funeral do pastor, uma surpresa: havia um mandado de prisão contra Flávio.

“Tomo a decisão de cumprir esse mandado de prisão contra o Flávio. No próprio dia 17, estava havendo o funeral da vítima, e eu determino que a equipe vá até o cemitério e capture o Flávio. Eu não queria o risco de se perderem provas. O telefone do Flávio foi descartado na ocasião”, afirmou a delegada.

Lomba, no interrogatório, confirmou que Lucas foi indiciado pela participação no crime por ter ajudado a conseguir a arma que foi utilizada para matar o pastor Anderson do Carmo.

“Flávio vem para a delegacia nessas circunstâncias. Lucas começa a dizer para o Flávio que ele o havia consultado sobre a compra de uma arma, se achava que a arma seria boa ou não. Houve um pedido de auxílio ao Lucas para que ele comprasse uma arma. Ficou comprovado que o Lucas ajudou na compra dessa arma”, disse a delegada.

Ela contou ainda que a participação de Flávio como executor foi comprovada por provas técnicas.

“O cumprimento do primeiro mandado de busca resultou na apreensão da arma de fogo usada no crime, que estava no quarto do Flávio. O ICCE, mais à frente, confirma que aquela arma no quarto do Flávio foi utilizada na execução”, afirmou.

Julgamento
O julgamento é presidido pela juíza Nearis dos Santos Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói. Os crimes que serão julgados são:

homicídio triplamente qualificado
tentativa de homicídio
uso de documento falso
associação criminosa armada
falsidade ideológica
Antes do início do julgamento houve um bate-boca envolvendo Janira Rocha, advogada da Flordelis, e a acusação. Janira disse que o pastor Anderson praticou abusos sexuais, verbais e patrimoniais contra mulheres da casa, e que vai acompanhar o julgamento como estratégia da defesa de Flordelis.

Ângelo Máximo, advogado e assistente de acusação da família do Anderson do Carmo, afirmou que é uma acusação covarde, e que espera que todos que estão sendo julgados nesta terça sejam condenados.

G1

OUTRAS NOTÍCIAS