Membros de terreiro na BA denunciam intolerância religiosa e agressão após grupo pregar em frente a templo de candomblé

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O terreiro de Candomblé Logun Edé, que existe há mais de 40 anos na cidade de Eunápolis, no sul da Bahia, foi alvo de intolerância religiosa no domingo (13), conforme denúncia de candomblecistas.

Os membros do terreiro contam que um grupo, com cerca de 20 evangélicos, fez uma pregação cristã em frente ao templo com apoio de um carro de som. Houve uma confusão no local e três pessoas que frequentam o terreiro de candomblé foram agredidas fisicamente.

Os candomblecistas prestaram queixa de intolerância religiosa e agressão na delegacia de Eunápolis. Nesta segunda-feira (14), eles passaram por exame de corpo de delito. Segundo a Polícia Civil, a delegacia da cidade investiga o caso.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o grupo fazendo as pregações em frente ao terreiro. A mãe de santo Luziene Almeida, detalhou que o grupo evangélico, que integra a Igreja Assembleia de Deus, estacionou o veículo na esquina do terreiro e iniciou uma pregação cristã em frente o espaço de encontro dos candomblecistas.

Luziene afirma que eles realizam ações semelhantes nas ruas de Eunápolis, mas nunca tinham feito em frente ao terreiro. Durante a pregação, alguns envangélicos foram em direção ao assentamento de Exu, um local de culto ao orixá que fica em frente à casa, e logo em seguida, houve uma briga entre os dois grupos.

“Minha neta foi pedir para eles se retirarem e eles a agrediram, deram uma ‘gravata’ no pescoço”, afirma Luziene.
Maria Carolina Souza, neta de Luziente relembra o momento da agressão.

“Fui lá pedir para que eles parassem, até por causa da idade da minha avó, já estava uma situação chata. No momento que eu fui [em direção ao grupo] o pastor colocou a bíblia em cima do carro e partiu para cima de mim, me dando uma gravata e outro rapaz veio puxar meu cabelo. Então minha avó e minha tia entraram [na confusão] pra me defender”, conta

Conforme denunciam os membros do terreiro, durante a briga, outros integrantes do Logun Edé foram agredidos, mas nenhum teve ferimentos graves.

“Eu vi cinco a seis homens em cima de uma mulher só, puzando o cabelo e deu uma ‘gravata’. Não sei nem qual foi deles que me agrediu. O mais agravante foi a intolerância religiosa”, conta Wellington Pereira, genro de mãe Luziene

Após a confusão, o grupo evangélico deixou o local e segundo Luzanira Silva, filha da mãe de santo, eles só saíram da região ao saber que a família tinha acionado a Polícia Militar.

“Candomblé e preto são muito perseguidos, quero ver até onde vai isso”, desabafa Luziene.
Ainda de acordo com a mãe de santo, mesmo após toda confusão uma carta ainda foi deixada na porta do terreiro na manhã desta segunda-feira. O papel foi escrito à mão e continha passagens bíblicas.

Os integrantes do terreiro não sabem se a carta foi deixada pelo mesmo grupo responsável pelo ato no domingo. Luziene Almeida revela que episódios de intolerância religiosa são frequentes na cidade.

“Já jogaram sal ao redor da casa, já pediram para crianças passarem pelo terreiro me repreendendo, me chamando de satanás”, relembra.
A equipe de reportagem da TV Santa Cruz, filiada da TV Bahia no sul do estado, foi à igreja Assembleia de Deus em busca de explicações sobre o caso, mas não foi recebida por nenhum integrante da igreja.

G1 Foto: TV Santa Cruz

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