Pastor investigado por ofensas a religiões afro critica idolatria: ‘Posso ser preso ou morto, mas não mudo pregação’, diz

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Mesmo investigado pela polícka por ofensas a religiões de matrizes africanas, pastor Aisalon Berto disse que “não vai mudar pregação” — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Mesmo sendo alvo de uma investigação da Polícia Civil por causa de um vídeo postado em redes sociais em que associa símbolos culturais de religiões afro a “referências malignas e satânicas”, o pastor Aisalon Berto afirmou que vai manter o discurso contra a “idolatria”. “Posso ser preso ou morto, mas não mudo a pregação baseada na Bíblia”, declarou.

O discurso do pastor virou alvo de investigação da Polícia Civil pernambucana, na segunda (23). Por meio de nota, a corporação disse que o inquérito foi instaurado pela 24ª Circunscrição do Varadouro, em Olinda, e está sob a responsabilidade do Delegado Vinícius Oliveira.

O artigo 208 do Código Penal prevê pena de detenção de um mês a um ano ou multa para quem “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.

A abertura da investigação contra o pastor foi divulgada, após uma manifestação organizada por representantes de religiões de matrizes africanas, no Recife.

Coordenado pela Articulação da Caminhada dos Terreiros, o protesto aconteceu na área do Túnel da Abolição, na Zona Oeste da cidade.

Tudo começou em julho de 2021, quando entidades ligadas a religiões afro fizeram um painel com símbolos culturais representados em grafite, no túnel, que fica perto do Museu da Abolição.

 

Representantes de religiões de matrizes africanas fizeram manifestação, na segunda (23), no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Após a divulgação dessas homenagens, o pastor da Igreja Evangélica Ministério Dúnamis, de Cruz de Rebouças, distrito de Igarassu, no Grande Recife, publicou nas redes sociais frases contra os símbolos culturais representados nos painéis.

O religioso afirmou, na época, que “entidades referenciadas no candomblé se constituem feitiçaria, à luz da palavra de Deus”.

Críticas
Em entrevista ao G1, nesta terça (24), Aisalon Berto declarou que a “sua luta” contra a “idolatria” não é contra apenas os representantes de religiões e matrizes africanas.

“Também tenho pregado contra a Igreja Católica, que também idolatra imagens. Deus ficou indignado, porque os idólatras estavam pintando nas paredes as imagens das suas entidades veneradas”.

Berto disse, ainda, que no caso do Túnel da Abolição, viu o que “significavam” as imagens, à luz da palavra de Deus.

“Eu verbalizei que era veneração a ídolos e totens para seres demoníacos. Elas estão energizadas por foças malignas”, declarou.

G1

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