Quaresma: os evangélicos devem participar?

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp

Muitas pessoas ficam confusas sobre o que é a quaresma e se existe alguma ordem bíblica para os cristãos participarem ou não. As penitências praticadas nessa época têm o poder de dar perdão?

A Quaresma é um período de preparação que antecede a Páscoa na tradição cristã. Tradicionalmente, esse período se estende por 40 dias, iniciando-se na quarta-feira de cinzas e se encerrando uma semana antes do Domingo de Páscoa quando os cristãos celebram a ressurreição de Jesus. Neste ano, a contagem se iniciou no dia 2 de março e termina na quinta-feira da chamada semana santa, em 14 de abril.

Quaresma é um tempo de penitência praticado pela tradição católica que adotou três práticas para o período: a oração, a caridade e o jejum de abstinência de certos alimentos e práticas com o objetivo de se penitenciar para obter proximidade a Deus. Além da tradição predominantemente católica, os devotos da Igreja Ortodoxa, anglicanos e luteranos também celebram esse período. E como o cristão evangélico encara esse evento religioso? Ele deve ou não participar?

O presbítero André Sanchez da Igreja Presbiteriana do Brasil esclarece algumas questões. “São dias tidos como dias penitenciais, ou seja, dias em que pessoas penitenciam a si mesmas com o objetivo de alcançar o perdão dos pecados e se aproximar de Deus. Não temos na Bíblia qualquer menção a respeito da quaresma. Alguns elementos que existem nela como jejum, como buscar vencer o pecado, como buscar a face de Deus de forma especial são bíblicos. Porém, o fato de essas coisas serem feitas apenas em um período do ano pode nos levar a pensar que os meros rituais são suficientes para agradarmos a Deus, o que não é uma verdade”, explica o presbítero.

“Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da lua nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene” (Isaías 1:13).

O início desse período de quaresma na quarta-feira de cinzas (pós carnaval) ainda traz a muitas pessoas a ideia de que após se entregarem aos pecados no carnaval e no resto do ano, agora irão fazer jejuns e rituais para se purificarem. Porém, logo após esse período de quaresma, voltam a mesma vida de pecado e desobediência a Deus, o que faz com que esses rituais sejam meros rituais vazios feitos ano após ano, e que não são recebidos por Deus com alegria, pois não brotam de um coração realmente comprometido com o Senhor.

O presbítero explicou em um dos seus estudos bíblicos que “na forma como a quaresma é apresentada, o servo de Deus não deve participar dela. Reconciliar-se com Deus, jejuar, refletir sobre a vida, deixar os pecados, devem ser atitudes que devem nos acompanhar todos os dias e não em apenas alguns dias especiais: “Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl1:2).

Penitenciar-se com o objetivo de receber o perdão não é um conceito bíblico, pois somente através do sacrifício de Cristo, (que já foi feito), é que podemos ser perdoados, mediante o arrependimento sincero e não usando as penitências como algo necessário ao perdão: “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus” (Hb 10:12).

“As penitências, sejam quais forem, não têm o poder de dar perdão a ninguém. Somente o arrependimento sincero pode nos reconciliar com Deus (1 Jo 1:9). Mas infelizmente, a nossa cultura, de forma profana, tem estabelecido que as pessoas possam se “liberar” para realizar todas as suas fantasias pecaminosas nas festas profanas e depois, por meio de um ritual de quarenta dias, se purificar dos erros cometidos”.

A doutora em Antropologia Social, Docente no Mestrado em Ciência das Religiões da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Portugal, Lidice Meyer explica em sua pesquisa que para o cristão a festa principal é mesmo a Páscoa. Mas, para se prepararem para essa celebração, os evangélicos podem fazer alguns eventos especiais. No período que antecede à Pascoa, há vários preparativos como ensaios de peças teatrais, apresentações musicais e estudos especiais. Para os evangélicos é apenas a época que antecede a Páscoa e por isso deve ser utilizada para o preparo das atividades referentes à celebração pascal.

Por Lilia Barros – Revista Comunhão e foto reprodução/ Ilustração

OUTRAS NOTÍCIAS