“Talvez sejamos uma das últimas gerações de Homo sapiens”, diz historiador 

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Madri, 4 fev (EFE).- O professor de história e escritor israelense Yuval Noah Harari acredita que provavelmente a nossa seja uma das últimas gerações de Homo sapiens, já que em um século ou dois “os humanos se destruirão ou se desenvolverão de forma completamente diferente”.

 

O que está por vir será tão diferente, detalha à Agência Efe este historiador, que superará as diferenças que agora existem entre o homem moderno e neandertais ou chimpanzés.

 

Segundo Harari, nas próximas décadas “vamos nos converter em deuses”, já que “adquiriremos habilidades que tradicionalmente pensava-se ser habilidades divinas”; em particular, capacidades para a engenharia ou para criar vida.

 

“Da mesma forma que Deus criou animais, plantas e humanos de acordo com seus desejos, segundo a Bíblia, no século XXI nós provavelmente aprenderemos a desenhá-los e fabricá-los de acordo com os nossos”, afirma via e-mail este professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, para quem não se deve confundir divinidade com onipotência.

 

A engenharia genética será usada para criar novos tipos de seres orgânicos, interfaces cérebro-computador para cyborgs e “podemos ter inclusive êxito na criação de seres completamente inorgânicos”, opina este historiador, que resume: “Os principais produtos da economia do século XXI não serão os têxteis, veículos e armas, mas mais bem corpos, cérebros e mentes”.

 

Isto não só será uma das maiores revoluções da história, mas a maior revolução da biologia, segundo Harari, que denomina os “descendentes” do Homo sapiens como Homo Deus por seus “poderes divinos de criação e destruição”.

 

Em seu livro “Homo Deus. Breve história do amanhã”, Harari explica que esta mudança será gradual “e não um apocalipse estilo Hollywood. O Homo sapiens não será exterminado por uma rebeldia de robôs, mas é mais provável que melhore passo a passo e que se una a robôs e computadores”.

 

Isto não ocorrerá nem em um dia e nem em um ano, porque de fato já está ocorrendo por meio de inumeráveis atos mundanos: milhões de pessoas diariamente decidem conceder a seu telefone inteligente um pouco mais de controle sobre sua vida ou provar um novo remédio antidepressivo mais eficaz.

 

Harari defende, além disso, que nas últimas décadas foi possível controlar a crise de fome, peste e guerra. Não é que esses problemas tenham sido resolvido totalmente, mas deixaram de ser forças da natureza incompreensíveis e incontroláveis para se transformar em desafios manejáveis: quando escapam do nosso controle, suspeitamos que alguém deve de ter colocado o dedo.

 

“Pela primeira vez na história, hoje em dia morrem mais pessoas por comer demais do que por comer de menos (…). No começo do século XXI, o humano médio tem mais probabilidade de morrer de compulsão alimentar em um McDonald’s do que em consequência de uma seca, o ebola ou de um ataque da al-Qaeda”.

 

Se estamos pondo sob controle a fome, a peste e a guerra, a pergunta é o que será substituído nos primeiros pontos da agenda humana?, Uma questão que torna-se “duplamente urgente” dados os imensos novos poderes da biotecnologia e tecnologia da informação.

 

Provavelmente, continua, os próximos objetivos da Humanidade sejam precisamente a imortalidade, felicidade e divinidade. “É vital pensar na nova agenda da humanidade porque temos certa margem de escolha com relação às novas tecnologias”, expõe.

 

No entanto, diz que “se mal interpretarmos a ameaça de uma guerra nuclear, mudanças climáticas e ruptura tecnológica, podemos não ter uma segunda chance.”

 

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